
Unidade de Internação Psiquiátrica do Hospital Universitário / Universidade Federal de Sergipe
02 dezembro, 2009
Decoração natalina - 2009

29 novembro, 2009
UIPHU no VI Congresso Brasileiro de Nutrição Clínica
E eis que os primeiros frutos deste trabalho com os alunos da graduação de Nutrição também já aparecem em forma de publicação no VI Congresso Brasileiro de Nutrição Clínica, que está ocorrendo de hoje (29) até o dia 02 de dezembro em Natal - RN.
Lá serão apresentados trabalhos de pesquisa com dados resgatados a partir do trabalho realizado na UIPHU.
Devemos parabenizar a Nutricionista Márcia Cândido por ter abraçado o trabalho na UIPHU e estar desenvolvendo em seus alunos a preocupação com o bem-estar e as peculiaridades da saúde dos portadores de transtornos mentais. De parabéns também o Curso de Graduação de Nutrição da UFS e seus alunos que demontram interesse pelo aprendizado e por todos os campos de atuação de sua profissão.
Seguem abaixo os resumos dos trabalhos:
SÍNDROME METABÓLICA EM PACIENTES COM TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS: A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO NUTRICIONAL NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO
Cândido, M.F.; Carvalho, V.C.B.; Macedo, M.S.; Santos, L.M.; Silva, F.P.B.; Souza, R.S.
Introdução: Estudos têm apontado para uma alta prevalência de síndrome metabólica (SM) em pacientes com transtornos psiquiátricos. O relatório da Conferência de Consenso sobre Drogas Antipsicóticas, Obesidade e Diabetes traz recomendações para o monitoramento de pacientes em tratamento psiquiátrico, incluindo, o consumo alimentar dos mesmos. Objetivos: Avaliar a presença de fatores de risco para SM e o perfil nutricional de pacientes em tratamento psiquiátrico. Método: Estudo transversal com uma amostra de 20 pacientes internos na Unidade Psiquiátrica do Hospital Universitário de Sergipe. Os dados foram coletados dos prontuários dos pacientes e foram aferidas medidas antropométricas dos mesmos. Foi utilizado o método de pesagem dos alimentos para coleta dos dados de consumo alimentar. As medidas do consumo de macronutrientes foram ajustadas pelo valor energético. Resultados: A amostra foi composta de 14 pacientes do sexo feminino (70%) e 6 do sexo masculino (30%). A média de idade foi de 34,63 anos. O IMC médio foi 23,07 kg/m² (±6,10), sendo de 21,34 kg/m² (±4,17) para o sexo masculino e 23,81 kg/m² (±6,76) para o sexo feminino. 60% dos pacientes apresentaram eutrofia, 10% baixo peso, 20% sobrepeso e 10% obesidade, sendo todos obesos do sexo feminino. A média de circunferência abdominal para mulheres foi de 87,48 cm (±12,27) e para homens foi de 82,25 cm (±6,59). Os fármacos mais usados por esses pacientes, cujos efeitos adversos (alterações de peso, glicemia e perfil lipídico) estão relacionados à predisposição ao desenvolvimento de SM, foram: os antipsicóticos (80%), anticonvulsivantes (75%) e antidepressivos (30%). Com relação ao consumo, a média de adequação de energia foi 154,63% (±34,63), carboidratos 144,91% (±24,24) e lipídios 105% (±21,45). O consumo protéico apresentou-se adequado para todos os pacientes. Com relação às alterações bioquímicas, 45% dos pacientes apresentaram níveis séricos elevados de colesterol LDL. O risco de desenvolvimento de SM representado por HDL <35>150 mg/dl esteve presente em 25% dos pacientes avaliados e 15% dos pacientes apresentaram glicemia de jejum acima de 99 mg/dl, sendo todos do sexo feminino. Foi encontrado o diagnóstico de hipertensão em 10% dos pacientes. Conclusão: Os pacientes da amostra apresentaram alterações no perfil nutricional e fatores de risco compatíveis com o diagnóstico de SM. A avaliação e intervenção nutricional devem ser prioritárias nesses pacientes.
EFEITOS ADVERSOS DO USO DE FÁRMACOS NO ESTADO NUTRICIONAL DE PACIENTES EM TRATAMENTO DE TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS
Cândido, M.F.; Fonseca, A.C.S.; Macedo, M.S.; Santos, L.M.; Silva, F.P.B.; Souza, R.S.
Introdução: Estima-se que a prevalência de obesidade e alterações nutricionais em pacientes psiquiátricos tratados farmacologicamente é 2 a 5 vezes maior do que na população em geral. Portanto, torna-se importante a avaliação nutricional de pacientes com esses transtornos no Brasil, onde são escassos estudos sobre o tema. Objetivos: Avaliar o perfil nutricional de pacientes em tratamento farmacológico de transtornos psiquiátricos. Método: Estudo transversal com uma amostra de 20 pacientes internos na Unidade Psiquiátrica do Hospital Universitário de Sergipe. Foram coletados os dados clínicos, bioquímicos e prescrição medicamentosa dos prontuários dos pacientes e aferidas as medidas antropométricas dos mesmos. Os dados de consumo alimentar foram coletados através do método de pesagem direta de alimentos. As medidas do consumo de macronutrientes foram ajustadas pela ingestäo energética utilizando-se análise de regressäo linear. Resultados: Dos 20 pacientes da amostra, 14 eram do sexo feminino (70%) e 6 do sexo masculino (30%). A média de idade foi de 34,63 anos. O IMC médio foi 23,07 kg/m² (± 6,10), sendo de 21,34 kg/m² (± 4,17) para o sexo masculino e 23,81 kg/m² (± 6,76) para o sexo feminino. A maioria dos pacientes (60%) apresentou eutrofia, 10% baixo peso, 20% sobrepeso e 10% obesidade, sendo todos obesos do sexo feminino. A média de adequação de energia foi 154,63% (±34,63%), carboidratos 144,91% (±24,24%) e lipídios 105% (±21,45%). O consumo protéico apresentou-se adequado para todos os pacientes. A média de consumo individual de medicamentos foi de 7 tipos por dia. Os fármacos mais consumidos foram os antipsicóticos (80%), anticonvulsivantes (75%), antihistamínicos (45%), antimaníacos (35%), antidepressivos (30%) cujos efeitos adversos são anorexia, alterações de peso, apetite, glicemia e perfil lipídico. Com relação às alterações bioquímicas, 45% dos pacientes apresentaram níveis séricos elevados de colesterol LDL. O risco representado por HDL <35>150 mg/dl foi demonstrado em 25% dos pacientes avaliados e 15% dos pacientes apresentaram glicemia de jejum acima de 99 mg/dl, sendo todos do sexo feminino. Conclusão: Os pacientes da amostra apresentaram alterações no consumo alimentar e perfil nutricional que podem estar relacionados aos efeitos adversos do consumo de fármacos no tratamento dos mesmos.
21 novembro, 2009
Parlamentares que apoiaram a "luta antimanicomial" afirmam: "Nós exageramos"
Presidente da ABP reafirma “Diretrizes” no Congresso Nacional
Em evento na Câmara dos Deputados, João Alberto Carvalho apresentou a deputados e especialistas o formato de rede integrada e hierarquizada defendida pela ABP
A Associação Brasileira de Psiquiatria, representada pelo seu presidente, João Alberto Carvalho, e pelo secretário do Departamento de Dependência Química, Marco Bessa, participou no último dia 17 de novembro do seminário convocado para “Debater os Efeitos Sociais do Consumo do Álcool e a Dependência Química na Adolescência e as Políticas Públicas Implementadas”, promovido pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.
Claramente estimulado por recentes episódios trágicos envolvendo jovens dependentes químicos e com o propósito de discutir exclusivamente os efeitos causados pelas drogas nessa parcela da população, o evento acabou avançando para uma discussão mais ampla sobre as políticas públicas de atendimento em saúde mental.
Essa mudança de foco foi provocada pela apresentação do presidente da ABP, que contextualizou a dificuldade da rede pública em tratar dependentes químicos dentro de um quadro generalizado de desassistência provocado pela atual política da Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde. “Não vamos resolver o problema da falta de assistência aos dependentes sem discutir toda a estrutura de atendimento em saúde mental”, afirmou.
João Alberto mostrou um infográfico explicativo sobre a rede preconizada pelas “Diretrizes para um modelo de assistência integral em saúde mental no Brasil” e convenceu os presentes de que, além de investimentos, falta também planejamento técnico para as ações em saúde mental. “Fiquei impressionado”, declarou o deputado e ex-ministro da Saúde Alceni Guerra.
A deputada Rita Camata, que admitiu ter apoiado e votado a favor das proposições da chamada “luta antimanicomial”, se mostrou “preocupada” com os resultados dessa orientação e elogiou a abordagem de rede proposta pela Associação Brasileira de Psiquiatria.
O presidente da ABP ressaltou que a proposta está baseada em evidências científicas e que seu funcionamento depende fundamentalmente da atuação do médico. Lembrou também que os demais profissionais de saúde são importantes para a construção do sistema multidisciplinar preconizado pela associação.
Surpresos com o conteúdo do documento, que foi distribuído em sua versão técnica, os parlamentares perguntaram se a proposta já havia sido apresentada à área de saúde do Governo. “Já entregamos a quatro ministros da saúde”, respondeu João Alberto. “Então vamos cobrar”, garantiu a deputada Elcione Barbalho, presidente da Comissão de Seguridade Social e Família.
“Considero que aproveitamos a oportunidade para expor nossas políticas e angariar apoios”, avaliou João Alberto Carvalho, lembrando que essas ocasiões são raras devido à resistência da Coordenadoria de Saúde Mental em relação às proposições da ABP e sua postura de relativização da medicina. “Apenas o fato de termos participado desse tipo de evento, onde normalmente não temos assento, já demonstrou um avanço em nossa articulação política”, finalizou o presidente da ABP.
“Nós exageramos”
Em audiência na Câmara dos Deputados, parlamentares que apoiaram “luta antimanicomial” fazem mea culpa
“Eu apoiei esse movimento e votei de acordo com suas orientações. Hoje, vendo a situação, estou preocupada”. A frase é da deputada Rita Camata e refere-se à chamada “luta antimanicomial”, que, com slogans palatáveis e exploração ideológica angariou simpatizantes em Brasília e conseguiu durante anos impor sua filosofia nas políticas públicas de assistência em saúde mental.
A deputada considera a atuação do Governo em relação às drogas “uma verdadeira demonstração de incompetência” que, segundo ela, está focada apenas na “repressão”. Camata admitiu que as políticas de saúde não estão sendo capazes de resolver o problema e que as famílias “não têm a quem recorrer”.
Outro parlamentar presente ao evento, apoiador de primeira hora da “luta antimanicomial” e incentivador da implantação de ações sugeridas pelo movimento, o deputado e ex-ministro da saúde, Alceni Guerra, também manifestou sua decepção com os resultados apresentados. “Nós exageramos”, disse ao se referir ao privilégio aos CAPs em detrimento de outras alternativas de tratamento.
“Ao ver essa rede sugerida pela ABP, estruturada e bem apresentada, acredito que temos alternativa e precisamos discutir mais o assunto”, finalizou o ex-ministro da saúde.
Fonte: ABP. 19/11/2009.
18 novembro, 2009
Adriano relembra drama da depressão
Tragédia com o goleiro da seleção alemã e do Hannover trouxe um momento de reflexão a Adriano
Data: 13/11/2009
Estado: RJ
16 novembro, 2009
Ômega 3 e Epilepsia
Agência FAPESP – Estudos têm apontado efeitos benéficos do ômega 3 na prevenção de doenças como Alzheimer e depressão. Agora, uma pesquisa feita por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e de outras instituições indica que o ômega 3 também pode ser um forte aliado no combate à epilepsia.
Com testes experimentais feitos em ratos, os pesquisadores verificaram que esse tipo de ácido graxo é capaz de minimizar a morte de neurônios durante crises epilépticas, além de ajudar na regeneração do tecido cerebral.
O estudo, publicado na revista Epilepsy & Behavior, demonstrou que o ômega 3 aumenta a produção de proteínas que “capturam” a entrada do cálcio no neurônio e, por conta disso, ajuda a diminuir a morte das células cerebrais.
Na pesquisa, um grupo de dez ratos recebeu 85 miligramas de ômega 3 por quilo de peso durante 60 dias, enquanto foi administrada uma substância inócua a um número igual de animais, que serviu de grupo controle.
Os pesquisadores verificaram que os ratos que receberam ômega 3 apresentaram significativa preservação do tecido cerebral após a simulação de crises epilépticas, em relação aos demais.
Também foi observado que o ômega 3 desempenhou importante papel antiiflamatório, uma vez que o tecido cerebral dos animais com epilepsia apresentava anteriormente um processo inflamatório crônico.
“Temos resultados que mostram que o ômega 3 é neuroprotetor e desempenha atividade ‘antiepilética’”, disse o coordenador da pesquisa, Fulvio Alexandre Scorza, professor adjunto do Departamento de Neurologia/Neurocirurgia da Unifesp e chefe da disciplina de Neurologia Experimental, à Agência FAPESP.
Scorza coordenou o projeto “O papel do ômega 3 no modelo de epilepsia induzido pela pilocarpina”, conduzido com apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular e concluído em agosto.
“Essa pesquisa foi muito importante por ter sido a primeira a mostrar uma ação cerebral do ômega 3 relacionada à epilepsia”, disse. Os outros autores do artigo são Roberta Cysneiros (Universidade Presbiteriana Mackenzie), Vera Terra e Hélio Machado (Universidade de São Paulo, USP), Ricardo Arida, Marly de Albuquerque, Carla Scorza e Esper Cavalheiro (Unifesp).
Scorza conta que, apesar de haver apenas outros seis grupos no mundo que estudam a morte súbita nas epilepsias, esse não é um evento raro. “As chances de os pacientes com muitas crises morrerem subitamente é de três a quatro vezes maior do que em indivíduos que não têm epilepsia”, disse.
Os principais fatores de risco nesse caso são crises contínuas, início precoce da epilepsia, pacientes que estão tomando muitos medicamentos para controle das crises e idade (de 27 a 39 anos).
“Como o principal tratamento é o medicamento, nossa proposta é o uso de ômega 3 por meio da alimentação”, afirmou. O pesquisador da Unifesp adverte, no entanto, que as pessoas com epilepsia não podem abdicar de seus remédios. “O ômega 3 é só mais uma forma de minimizar as crises da doença”, salientou.
A epilepsia é um distúrbio neurológico crônico que atinge cerca de 1% da população em geral. Causas comuns são traumas durante o parto e tumores no sistema nervoso central.
No Brasil, a principal causa é o parasitismo, principalmente a neurocisticercose provocada pela ingestão de água e alimentos contaminados. “Tem-se a ideia errônea de que esse parasita vem da carne de porco. É fato que se o animal estiver contaminado pode passar para as pessoas. No entanto, o principal foco de contaminação da larva (Cysticercus cellulosae) está na verdura e na água contaminada”, explicou Scorza.
O cientista ressalta que a epilepsia é uma doença neurológica, e não psiquiátrica. “Essa observação é importante porque elimina o preconceito em torno daqueles que têm o problema. A saliva não transmite doença e não é infecciosa. Outro mito é que não precisa puxar língua. Sempre ensinamos isso para a população”, disse.
O estudo atualmente prossegue em uma abordagem clínica com humanos, em parceria com pesquisadores da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, em que estão sendo analisadas crianças com epilepsias refratárias.
Outro projeto de pesquisa, segundo ele, pretende avaliar a convulsão febril cerebral durante a infância para avaliar se o ômega 3 pode reverter o quadro. “Em geral, algumas crianças que têm crises convulsivas na infância quando chegam à adolescência desenvolvem as primeiras manifestações epilépticas”, disse. Peixes na dieta Os ácidos graxos ômega 3 são gorduras essenciais para o funcionamento do organismo e podem ser encontrados em alimentos, principalmente peixes e na linhaça. “O ômega 3 não tem efeito colateral, mas, como suas cápsulas são caras, a recomendação é a ingestão semanal de peixe”, disse Scorza.
Segundo ele, três porções de peixe por semana é o recomendado. Salmão, atum, anchova e sardinha são as espécies mais indicadas. Mas, segundo o pesquisador, é preciso ter algumas precauções, uma vez que alguns peixes são ricos em ômega 3, mas também possuem quantidades consideráveis de mercúrio.
“Isso é ruim principalmente para crianças e mulheres gestantes, porque o mercúrio é neurotóxico. Apesar de ter muito ômega 3, o atum é rico em mercúrio. Para a população em geral, o mais viável economicamente, e mais indicado, é a sardinha”, disse.
Caso o peixe seja predador de espécies menores, poderá ter mais mercúrio. Outro aspecto é que existem espécies que têm pouco ômega 3, mas muito ômega 6, como a tilápia. “É claro que precisamos de ambos, mas, enquanto o ômega 3 é antiinflamatório, o ômega 6 é pró-inflamatório, ou seja, facilita o processo inflamatório. O ideal é um balanço”, explicou.
Para ler o artigo Epilepsia e morte súbita? Coma mais peixe! A hipótese de um grupo, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP).
07 novembro, 2009
UIPHU recebe incentivo de Psiquiatras em Mesa Redonda do XXVII Congresso Brasileiro de Psiquiatria
Na ocasião a Dra. Glaise apresentou dados sobre a fundação e gestão da UIPHU, bem como, discutiu com colegas os desafios que a Unidade Psiquiátrica de Hospital Geral têm enfrentado.
O colega da mesa Dr. Mário Matheus (SP) ao discorrer sobre seu subtema Avaliação da Política de Saúde Mental Brasileira, mencionou as diversas dificuldades, incluindo as diferenças regionais e suas similaridades: notadamente a exiguidade de leitos em hospital geral por todo país.
A Dra. Maria Lucia Baltazar (SP) e seu subtema Políticas de saúde mental: necessitamos hoje um novo Pinel? Nem hospitalocêntrico nem capscêntrico. E se o centro for o doente mental? através de sua experiência de 40 anos trabalhando em unidade psiquiátrica de hospital geral e de um rico levantamento histórico foi capaz de demonstrar que muitas idéias da Reforma da Assistência em Saúde Mental não são inovações. E mencionou como algumas dificuldades foram dribladas em seu serviço ao longo dos anos. Na oportunidade a Dra Lúcia ainda elogiou, no início da sua apresentação, o trabalho na UIPHU mencionando inclusive que no início da sua apresentação que "o nordestino é antes de tudo um forte".
O coordenador da mesa Dr. Fernando Lejderman (RS) atual presidente da Associação Psiquiátrica do Rio Grande do Sul, pontuou após cada apesentação o quão tem sido difícil a prestação da assistência à saúde mental no país, independentemente da região. Mencionou que, a propósito do exemplo dado pela UIPHU, a palavra-chave era QUALIDADE, através da qualidade estávamos obtendo êxito no trabalho empreendido.
Outros colegas da platéia, na abertura para o debate também manifestaram apreço à UIPHU e elucidaram algumas dúvidas e ao final houve a oportunidade da Dra. Glaise trocar e-mails com psiquiatras de outras instiruições: hospitais gerais e CAPS, de várias partes do país, o que certamente contribuirá para o aprimoramento da UIPHU.
27 outubro, 2009
Eles revelaram que tiveram depressão
Quem pensa que as celebridades são perfeitas e não possuem nenhum problema, se engana. O ator Selton Mello, que atualmente divulga seu novo filme “A Mulher Invisível”, com quem contracena com Luana Piovani, revelou em entrevista para a revista “Veja” que já teve depressão.
Ele conta que tudo aconteceu no ano passado, quando resolveu parar de tomar remédios para emagrecer e chegou a pesar mais de 100 kg.
“Vivi um inferno”, afirma ele.
A depressão foi tão grave que o ator pensou até em largar sua carreira artística.
“Isso foi no auge do desconforto. Estou redescobrindo o prazer de atuar”, disse.
Selton Mello faz agora análise, para não deixar que a depressão tome conta dele denovo. Além disso, o rapaz se exercita com grande frequência e se sente muito satisfeito com esse novo ritmo.
Luiza Thomé sofreu com a perda da sogra
Quem confere o trabalho de Luiza Thomé na TV e sua ousadia em posar nua pela segunda vez numa revista masculina, depois de se tornar mãe de gêmeos, não imagina o quanto a atriz já sofreu com a Síndrome do Pânico.
"Depois que meu filho Bruno nasceu, quando tinha meses, fui ao inferno e voltei. Foi um período difícil”, contou em entrevista à revista Quem.
Luiza sofreu de depressão pós-parto associada à síndrome do pânico. Para ela, a principal causa foi a perda da sogra, vítima de câncer. A atriz passou a não sair mais de casa, com medo que algo ruim acontecesse a ela ou ao filho.
"Foi um ano e meio no buraco. Melhorei, mas foi uma luta. Tive medo de não ficar boa. Fiz tratamento com antidepressivos e terapia”, lembra.
Wanderley Cardoso não digeriu o ostracismo
O glamour dos tempos da Jovem Guarda ficou na lembrança. Mas, foi difícil para Wanderley Cardoso entender que nada é para sempre. Convertido à religião evangélica, o ídolo da jovem guarda costuma fazer pregações, contando como alguém acostumado com o sucesso, com dinheiro e fama, aprende a conviver com os altos e baixos. Wanderley teve tédio da sua própria vida e isolado, no anonimato, entregou-se ao vicio da bebida, chegando a tentar o suicídio.
“Consegui quase tudo na vida: músicas na parada de sucessos, dinheiro, carrões. Com o tempo, o sucesso foi passando, a mídia me esquecendo, entrei em depressão, bebendo demais, além de conviver com pessoas de má reputação até chegar ao fundo do poço. Só não morri, porque Deus não deixou. Sei que o meu redentor vive. Sou um homem recuperado, sem tédio da vida e vivo a cantar as maravilhas de Deus. Tenho uma mulher maravilhosa, que me amparou e me ampara em todos os momentos”, revelou o cantor no lançamento de seu CD gospel, Você Merece Ser Feliz.
Dóris Giesse pensou em se matar
Em novembro de 2002, Dóris Giesse reapareceu de uma maneira que ninguém gostaria de tê-la visto: depressiva, sem auto-estima e sem perspectiva. A ex-apresentadora de programas como Fantástico e Dóris Para Maiores confessou que havia se entregado ao vício da bebida e chegou a tentar o suicídio por conta de problemas no casamento.
“Foi uma fase horrível. Tive muito medo, pânico de tudo e todos. É difícil recomeçar, mas a gente cria forças. Estou com projetos de voltar à TV”, conta ela à reportagem de O Fuxico.
Vera Gimenez
“Tive depressão em seguida do câncer de mama e convivo com ela desde então. Tive essa doença há 10 anos e, nos últimos cinco, fui aconselhada pelos meus médicos a tomar anti-depressivos. Eu quero deixá-los, mas isso precisa ser feito com calma. Os remédios me ajudam a ter equilíbrio pois, sem eles, fico irritada com muita facilidade”.
Colin Farrell
Colin Farrell se submeteu a tratamento psiquiátrico por seis meses. O ator procurou o médico, quando era adolescente, por causa de problemas com drogas e álcool que resultaram em uma forte depressão.
“Eu tinha 18 anos. Tomava muitas coisas na época e me perdi completamente. O médico não fez muita coisa. Ele apenas me ouvia e isso foi muito bom.”
Kelly Osbourne
Kelly Osbourne sofreu um colapso mental, no ano passado. Depois, "12 meses no inferno”, como define.
Kelly admite que teve uma depressão, depois de uma série de desastres pessoais que se sucederam desde o final de 2002.
Durante aquele ano, Kelly soube que a mãe sofria de câncer, seu namorado Bert McCracken rompeu com ela, seu cachorro morreu e seu irmão Jack teve que ser internado para reabilitação do vício em drogas.
Kelly também teve que lidar com o fato de seu pai voltar a beber, quando soube da doença da mulher e, finalmente, foi pega de surpresa quando Ozzy sofreu um acidente quase fatal no final de 2003.
“Tudo parecia estar piorando e piorando e, para ser honesta com você, acabei tendo um ataque nervoso,” revela Kelly.
Ewan McGregor
Ewan McGregor conta que começou a beber como forma de lidar com a depressão causada por seu papel em Star Wars.
A carreira do ator escocês teve uma ascensão meteórica, quando interpretou o jedi Obi-Wan Kenobi. Mas, em seguida, começou a sofrer as pressões de uma estrela de cinema internacional e não suportou.
Fora isso, no começo das filmagens, Ewan odiou seu personagem por ter que, em geral, gravar sem cenário, para a inclusão de efeitos especiais.
“Eu costumava beber antes das entrevistas, porque achava que a bebida me ajudava a falar. O que aconteceu foi que saí falando coisas que nunca deveria dizer. Coisas estúpidas. Depois de O Ataque dos Clones, parei de beber antes das entrevistas. Agora, lido bem com elas e estou feliz com o resultado".
Sadie Frost
Sadie Frost passou por um período crítico em sua vida, quando se separou do ator Jude Law.
A separação veio pouco depois do nascimento de seu terceiro filho com Law e a angústia natural do rompimento se misturou à depressão pós-parto, o que levou Sadie ao hospital.
Depois de uma breve internação, Sadie passou a tratar-se com anti-depressivos.
David Arquette
Courteney Cox salvou o marido David Arquette (Pânico 1, 2 e 3 e Spot – Um Cão da Pesada) de experiências com heroína, cocaína, álcool e de auto-mutilação.
“Eu experimentei de tudo,” declara David. Queria fazer experiências, mas fui longe demais.”
Apesar de seus trabalhos cômicos, David tem um lado obscuro, tem crises intensas de depressão e tentou se suicidar aos 15 anos de idade.
Seu corpo é coberto de cicatrizes de ferimentos feitos por ele mesmo. Há também queimaduras feitas com cigarro.
Foi Courteney que deu um jeito nisso tudo. Ela o incentivou a procurar os Alcoólicos Anônimos, a fazer terapia e a amar e se deixar amar.
Princesa Margareth
A Princesa Margareth da Inglaterra, filha de Elizabeth II, faz tratamento contra a depressão com o famoso psquiatra Dr. Mark Collins, que já cuidou de outras celebridades em crise depressiva como Kate Moss, Paula Yates e Sadie Frost.
Em 2000, a princesa teve uma crise tão severa, que a família real a manteve fora do alcance da imprensa e do público.
Marie Osmond
Marie Osmond, membro do grupo Osmond Brothers, famoso nos anos 1970, lançou o livro chamado Behind the Smile onde fala de sua longa batalha contra a depressão.
Entre as revelações, Marie conta que sofreu abuso sexual por toda sua infância e adolescência.
Marie não quis revelar o nome do culpado, só adiantou que não se tratava de um membro da família nem de amigos.
Robbie Williams
Em 2001, Robbie Williams sofreu de uma grande falta de confiança em si mesmo, que o forçou a se retirar um pouco de cena para se reencontrar.
Mesmo tendo uma carreira de sucesso e milhares de fãs no mundo inteiro, Robbie entrou em depressão e tem consciência disso.
O cantor, que já foi dependente de álcool e drogas, explicou na época:
“Fazer shows pode ser muito traumatizante e é também muito cansativo fazer um após o outro. Não quero abandonar minha carreira. Sei que preciso continuar, mas tenho medo. É isso.”
Ben Affleck
Quando Ben Affleck parou de beber, entrou em depressão.
Para compensar a angústia, o galã comia e, com isso, engordou sete quilos num curto período de tempo.
Na época, o ator declarou que não estava preocupado com a forma e sim com sua recuperação.
Foi uma sábia decisão pois, quando melhorou, sentiu-se fortemente motivado a retomar sua antiga forma.
Luis Miguel
O cantor mexicano Luis Miguel já passou por dois graves períodos de depressão na vida, embora confesse que nunca passou por sua cabeça a idéia de suicídio.
Quando a mãe, a cantora italiana Marcela Basteri, desapareceu, no dia 18 de agosto de 1986, o artista quis até abandonar a carreira artística por não saber nada sobre o paradeiro dela, que até hoje está desaparecida.
No Natal de 2003, o cantor emocionou o público ao confessar que seu melhor presente seria rever a mãe. Parentes diretos de Marcela chegaram a acusar o pai de Luis de tê-la mandado matar, porque Basteri se metia muito na carreira do filho.
A segunda forte depressão do cantor veio com a morte do pai, o guitarrista espanhol Luisito Rey:
"Ele era muito jovem e talvez amasse mais o pai do que a mãe. A morte de Luisito deixou um vazio profundo em Luis Miguel que, na época, chegou a anunciar um retiro. Já não queria ser cantor, porque seu maior incentivador e maestro se fora. Foram anos de depressão e até hoje Luis Miguel sofre com essa perda que aconteceu há 12 anos", diz a jornalista Claudia de Icaza, autora da biografia não-autorizada do artista.
Sobre esses temas tristes de sua vida privada, o cantor não gosta de falar:
"Às vezes, o artista tem um lado triste e obscuro, um mistério. Se alguém vai falar da minha vida privada, serei eu algum dia. Meus melhores amigos são o sol e o mar. Eles me revitalizam e me enchem de alegria", diz.
Victoria Ruffo (A Madrasta)
A atriz mexicana Victoria Ruffo, protagonista da novela A Madrasta exibida atualmente nas tardes do SBT, há dez anos foi vítima da depressão, mas explica que teve motivos de sobra para apresentar esse quadro: foi justamente quando soube que o casamento de conto-de-fadas que teve com o comediante mexicano Eugenio Derbez não passara de uma farsa.
Na época, Victoria estava grávida do primeiro filho José Eduardo e Eugenio organizou todo o casamento. Ela descobriu, meses depois, que tanto o padre como o juiz que a casaram, eram atores contratados pelo marido, que não tinha o menor interesse em desposá-la.
Apenas no ano passado Victoria e Derbez voltaram a se falar, pois continuam trabalhando na mesma emissora, a Televisa:
"Fiquei com vergonha do mundo. Não queria sair de casa, não queria falar com ninguém, não queria aparecer na televisão. Foi um baque muito forte, porque eu estava verdadeiramente apaixonada", diz Ruffo.
Hoje, Victoria está casada com o deputado Omar Fayad e tem um casal de gêmeos.
Thalia
A cantora mexicana Thalia admitiu ao programa latino El Show de Cristina que viveu uma séria depressão, quando suas irmãs Laura Zapata e Ernestina Sodi foram seqüestradas em setembro de 2002.
Antes de culpar a imprensa pelo seqüestro das irmãs, Thalia culpou a si mesma, pois sentiu desde o primeiro momento que, por ela ser quem é e estar casada com um dos empresários discográficos mais importantes dos Estados Unidos, acabou fazendo de sua família um alvo fácil para os bandidos.
"Tommy me apoiou o tempo todo e me ajudou a enxergar que eu não tinha culpa. Foi um momento muito difícil e doloroso, porque o único momento de depressão que eu havia tido até então foi quando, aos cinco anos de idade, perdi meu pai. Naquela época, passei um ano inteiro sem falar", explica a artista.
Brooke Shields
Para a atriz Brooke Shields, a depressão pós-parto é a outra cara de ser mãe. A atriz de Lagoa Azul não teve preconceito ao revelar ao mundo que pensou até em se suicidar, depois do nascimento da filha Rowan.
Com o objetivo de ajudar a outras mães que passam pelo mesmo problema que ela passou, Shields escreveu o libro Down Came the Rain, onde relatou sua dura batalha contra a depressão:
"Não queria me levantar da cama, apenas conseguia dar um pouco de atenção à minha filha que tanto lutei para conceber", diz.
Brooke também aconselha:
"A depressão tem cura. Corram atrás, busquem ajuda médica. Ter depressão pós-parto não significa que você não seja uma boa mãe".
Letícia Calderón
A atriz mexicana Leticia Calderón, que protagonizou a versão original da novela Esmeralda, quando soube que o primeiro filho Luciano tinha síndrome de Down, já na sala de parto, entrou numa depressão profunda:
"Cheguei a renegar meu próprio filho. Não podia aceitar a idéia de que eu não tinha conseguido dar à luz uma criança sadia", disse Lety à revista mexicana TVnotas.
A atriz admite que demorou cerca de dois meses para aceitar o filho e seu companheiro Juan Collado foi o primeiro a ajudá-la:
"Juntos, buscamos um médico terapeuta que me ajudou a superar a depressão. Precisei de remédios e hoje tenho até remorso de não ter aceitado meu filho, em seu primeiro instante de vida. Hoje, já completamente curada dessa depressão, posso afirmar que fui a escolhida de Deus, porque foi Ele quem quis que Luciano nascesse num lar tão lindo como o meu", comenta, emocionada.
20 outubro, 2009
Esquizofrenia: vivendo dentro e fora da realidade
Por Emanuelle Bezerra
“Nunca soube diferenciar muito bem o que eu vivia de verdade e o que eu inventava”. Diva O. teve que conviver com esta vida dividida entre o real e o imaginário até o casamento, quando seu marido percebeu algumas características incomuns e a levou ao psicólogo. Ela logo foi encaminhada a um psiquiatra que finalmente a diagnosticou como portadora de esquizofrenia. A doença, que acomete cerca de 1% da população mundial, não é tão facilmente identificada. Diva passou toda a juventude apresentando os indícios, mas sua família nunca desconfiou que a menina que queria morar em um submarino acreditava mesmo que fazia parte da “Força Secreta de Inteligência do Brasil”.
A perda de contato com a realidade é um dos principais sintomas para o diagnóstico, traçado a partir do histórico do paciente. Não há causas exatas e nem ao menos um exame laboratorial específico. O que se sabe é que a esquizofrenia é uma doença relativamente comum e que seus portadores podem experimentar mudanças na sua forma de pensar e sentir. Com isso, suas relações afetivas e sua capacidade de viver em sociedade podem ser prejudicadas.
Para muitos pesquisadores a esquizofrenia é resultado de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. O Dr. Miguel Jorge, professor associado do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP, acredita que a hereditariedade é um fator importante, mas que o ambiente deve ser de igual forma observado. Ele exemplifica com gêmeos univitelinos, que caso um deles apresente a doença, a probabilidade de o outro também apresentar é de 60 a 70%. “Como eles têm exatamente a mesma carga genética, se a esquizofrenia fosse determinada apenas por fatores genéticos, esta probabilidade deveria ser de 100%. Isto demonstra que fatores psicossociais também contribuem para a determinação da esquizofrenia”.
Diva foi a primeira em sua família a apresentar o transtorno, mas para sua surpresa seus três filhos, todos homens, com idades de 22, 19 e 18 anos, também desenvolveram a doença na adolescência. Apesar de já ter sido tranquilizada inúmeras vezes pelos médicos e terapeutas que acompanham a família, ela se culpa pela condição dos meninos. “Em mim a doença apareceu mais tarde. Eu já tinha meus 27 anos. Já meus filhos desde muito novos foram diagnosticados. Eu sei que é por conta de alguém como eu tê-los educado”. Quanto à idade para o surgimento da doença ela está enganada, pois segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria [1] a esquizofrenia se manifesta mais tarde nas mulheres, entre os 20 e 30 anos, e nos homens o aparecimento ocorre no início da adolescência, por volta dos 15 anos.
Wagner Gattaz, psiquiatra e professor do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, acredita que a esquizofrenia é uma doença própria da condição humana. Ele baseia-se no fato do transtorno se manifestar universalmente, em todas as etnias, culturas e classes. Em entrevista ao portal do médico Drauzio Varella [2], ele diz que nem tudo pode ser explicado pela genética, mas usa o mesmo exemplo do Dr. Miguel Jorge, o caso dos gêmeos, para dar maior destaque à hereditariedade. Os dois médicos concordam, entretanto, que os fatores ambientais são muito mais profundos do que, por exemplo, a criação dada à pessoa, como pensa Diva. Eles variam das condições obstétricas, período do ano em que a pessoa nasce — há um número maior de portadores da doença nascidos nos meses mais frios –, a dieta e até mesmo o uso de drogas na adolescência. Dr. Gattaz completa dizendo que a doença é realmente muito comum. Em cada 100 mil habitantes, surgem de 30 a 50 novos casos por ano. Atualmente, 5% da população mundial têm esquizofrenia. No Brasil, segundo o psiquiatra, há 800 mil habitantes portadores da doença.
Confusão de pensamentos
Existem vários níveis de manifestação da esquizofrenia. Na fase inicial, os transtornos do pensamento, os delírios e as alucinações são os sintomas mais comuns. Os delírios são gerados a partir de um julgamento errado a respeito da realidade. Mesmo que haja provas contrárias à crença do indivíduo, ele fica tão convicto que não aceita a argumentação lógica. Além disso, o portador tem a sensação de que os seus pensamentos estão sendo influenciados, controlados ou até mesmo transmitidos para fora da cabeça. Há ainda os que acreditam ter poderes especiais ou funções excessivamente importantes para o mundo.
Em outro momento podem ocorrer alucinações, que são percepções falsas, mas que para o doente são extremamente reais. As mais comuns são as auditivas, que fazem o paciente pensar que está ouvindo barulhos, músicas e vozes. Elas podem ser claras ou apenas sussurradas. Muitos pacientes relatam ouvir ordens e comentários a respeito das outras pessoas. Um portador de esquizofrenia pode também ver objetos e até mesmo pessoas, com as quais passa a interagir. Em um momento mais avançado há alucinações olfativas e gustativas, que em geral ocorrem juntas, quando o indivíduo sente cheiros e gostos ruins. Também há alucinações táteis, que são sensações de toque, picadas, insetos rastejando sobre a pele e choques elétricos.
Outro sintoma da esquizofrenia são os distúrbios formais do pensamento. A pessoa tem dificuldade de fazer conexão entre um tópico e outro, na falta de palavras para se expressar ela cria novas, repete sílabas e passa a emitir sons ao invés de dizer o vocábulo completo. Além disso, ela pode sofrer bloqueios de pensamentos e assim deixar a fala desorganizada ou fragmentada. A comunicação verbal pode se tornar impossível para os pacientes. Nesta primeira fase já é possível identificar o tipo de esquizofrenia que o indivíduo apresenta. Entre os mais comuns estão a paranóide, catatônica, simples e depressiva, ainda que não se faça mais nenhuma categorização da doença.

De acordo com o Dr. Miguel Jorge, o delírio paranóide e as alucinações são os mais prejudiciais, pois eles comprometem a vida cotidiana do paciente. O delírio paranóide geralmente acontece na fase aguda da doença e pode desaparecer na fase crônica, dando espaço para outros tipos de manifestação. O professor explica ainda que a esquizofrenia é um quadro essencialmente psicótico e assim pode não existir diferença alguma entre os sintomas característicos da fase aguda da doença e os de outras psicoses. O comprometimento da afetividade – o chamado “embotamento afetivo”, que se dá neste primeiro momento, pode ser um diferencial para outros quadros de natureza psicótica, tornando o diagnóstico mais claro.
Vida social prejudicada
A esquizofrenia pode causar a deterioração do comportamento social. O paciente começa a se isolar no mundo que constrói com seus delírios e alucinações e fica inacessível ao mundo exterior. Ele começa a ter menos iniciativa e pode ainda transgredir regras sociais, como despir-se em público. Podem ser surpreendidos falando sozinhos, gesticulando e tendo expressões faciais impróprias. Há aqueles que passam a ser descuidados com sua higiene pessoal ou a se vestir de forma inapropriada. Diva conta que seu filho mais velho, Marcelo, não tirava o uniforme da escola de futebol que frequentou até os 16 anos, quando começou a apresentar os sintomas. Até que na comemoração de seu décimo sétimo aniversário ele apareceu no playground com a roupa completa, meia até o joelho e chuteiras, mas a festa não era temática. O rapaz não ficou para cortar o bolo, não suportou as risadas dos convidados e passou a noite trancado no quarto. Esta foi a primeira vez que Diva viu o filho isolar-se, e desde então a comunicação com Marcelo foi ficando cada vez mais prejudicada.
Dos seus três filhos, ele é o que tem menos controle sobre a doença. Durante algum tempo Marcelo rejeitou os medicamentos e tornou-se bastante agressivo com a família. Hoje, com mais domínio sobre suas emoções, o rapaz já aceita ser medicado e faz terapias alternativas ao tratamento com remédios. Ele está na fase crônica da doença e, como demorou a ser tratado corretamente, tem uma recuperação mais lenta que a dos irmãos. Ele ainda apresenta o chamado estupor catatônico, que é a situação na qual o paciente fica imóvel por um período longo de tempo e perde os controles motores. “Da última vez estávamos em uma loja de departamento olhando os celulares novos. Nem iríamos comprar nenhum. Estávamos só olhando os novos modelos. Mas enquanto a vendedora explicava para ele como usava o aparelho que estava em sua mão, Marcelo perdeu o controle do braço que ficou estendido imóvel e deixou o celular cair. A vendedora, muito gentil não reclamou de o celular ter caído no chão, mas assim que voltou ao estado normal ele quis comprar o aparelho, que estava arranhado atrás”.
Transtornos motores como o de Marcelo também são sintomas comuns nesta fase da doença. O indivíduo pode ficar paralisado, como o filho de Diva, ou ter uma atividade motora sem objetivo e incontrolável, que é o excitamento catatônico. Também é comum que o paciente apresente maneirismos, que são atividades normais, mas exercidas fora de contexto. A estranheza que causam nas pessoas ao apresentar estes sintomas também colabora para o isolamento social, pois o paciente se sente desconfortável com a reação dos que estão ao seu redor. O passo seguinte a isso é a diminuição na resposta afetiva. Muitos se sentem “vazios de emoção” e por não conseguirem transmitir o que estão sentindo ou o entendimento que têm a respeito do mundo, tornam-se indiferentes ou apáticos.
A melhor maneira de tratar
Não é possível tratar um portador de esquizofrenia sem medicação, ainda que as doses possam ser paulatinamente diminuídas. No entanto, existem dispositivos que podem ser agregados ao tratamento que possibilitarão a reintegração mais rápida do paciente na sociedade. O Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ) é um dos pioneiros em agrupar dispositivos ao tratamento de transtornos mentais. Os pacientes conseguem ter lá dentro uma vida produtiva e bem normal.
Um exemplo é a oficina de culinária, onde há toda uma dinâmica médica por trás do ato de cozinhar. Existe ainda no hospital oficina de artes, biblioteca, na qual os monitores são os próprios pacientes, além de uma lavanderia. Por meio destas oficinas é possível gerar renda para os pacientes, uma vez que o que eles produzem pode ser vendido na cantina e no bazar do hospital.
O psicólogo Sidney Dantas, que também é musicoterapeuta do CPRJ, conta que esses dispositivos no tratamento, seriam inimagináveis nas décadas passadas, antes da Reforma Psiquiátrica [4], que teve início em 1970. “A partir desta data o que acontecia nos ‘porões’ dos sanatórios começou a vir à tona. Era uma falta de humanidade da própria classe médica, tratamentos violentos, que quando foram expostos, obrigaram as autoridades reformar o sistema”, conta. Quando ele chegou ao CPRJ ele foi para integrar o quadro de psicólogos, mas logo foi indicado para começar o tratamento com a música. “A aproximação com a arte, com a música é natural. O sujeito vem porque gosta de música, gosta de tocar, de cantar e isso já permite o tratamento. É claro que este dispositivo terapêutico não substitui os outros”.
O tratamento do portador de esquizofrenia em sua maioria era baseado no isolamento. A rotina não permitia que ele tivesse uma vida normal. Com a arte, vista inicialmente como um complemento, isso mudou. Segundo Dantas, o isolamento não permitia a melhora no quadro clínico, existiam atividades, mas eram impostas pelo Hospital. As oficinas de arte não funcionam assim, a iniciativa é do paciente. O psicólogo afirma que este dispositivo atende a uma necessidade real. “Desta maneira o paciente pode se expressar, interagir com o mundo, se sentir útil e aceito. Há algo que ele sabe fazer bem. Então escolhe as atividades com as quais tem mais afinidade e descobre e mostra seus talentos”.
O tratamento do portador de esquizofrenia em sua maioria era baseado no isolamento. A rotina não permitia que ele tivesse uma vida normal. Com a arte, vista inicialmente como um complemento, isso mudou. Segundo Dantas, o isolamento não permitia a melhora no quadro clínico, existiam atividades, mas eram impostas pelo Hospital. As oficinas de arte não funcionam assim, a iniciativa é do paciente. O psicólogo afirma que este dispositivo atende a uma necessidade real. “Desta maneira o paciente pode se expressar, interagir com o mundo, se sentir útil e aceito. Há algo que ele sabe fazer bem. Então escolhe as atividades com as quais tem mais afinidade e descobre e mostra seus talentos”.
[5]Banda integrada por médicos e pacientes do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro
A partir destas oficinas nasceu dentro do CPRJ o grupo Harmonia Enlouquece [6], que conta com a participação de médicos, funcionários e principalmente dos pacientes. O grupo é um espaço aberto, que funciona como terapia desde 2001. Nestes oito anos, 40 pessoas já passaram pelo grupo que visa, antes de tudo, a saúde mental dos participantes.
A estrela do grupo, como apontam os outros integrantes, é Hamilton Assunção, músico e compositor. Ele recebeu o diagnóstico da doença há 25 anos e diz que só conseguiu melhorar de suas crises após integrar o grupo. O compositor se sentia muito privado do convívio social. E descobriu com a música que tudo é uma questão de querer se tratar. “A sociedade não tem respeito pela fragmentação do indivíduo. Sofri muito com as piadas de maluco. Sofri por querer interagir com as pessoas ao meu redor e não saber como. Aqui eu interajo não só com os amigos mas com os especialistas que sabem como tratar o doente. É uma melhora e tanto. Aqui existe um amor, uma identificação de ser humano. Eles dizem que se curam a interagir com a gente. Antes de vir me tratar aqui eu brigava à toa e era descontrolado, hoje sou muito mais tranqüilo”.
Hamilton conta que tudo o que escreve tem um “porquê” e “um para quem”. São recados para a sociedade. Ele é procurado por pesquisadores e produtores para compor músicas sobre os problemas sociais, como a luta contra o estigma da esquizofrenia. Uma de suas músicas, a Sufoco da Vida, estará na novela das oito e sua voz será dublada por um dos atores. Ele já está trabalhando no tema da próxima novela do horário nobre, retratará os problemas enfrentados por portadores de HIV.
O diretor do CPRJ Francisco Sayão, conhecido como Kiko, também integra o Harmonia Enlouquece e conta que o quadro de funcionários do Hospital já contou com uma bailarina e uma atriz. Profissionais que não estão diretamente relacionados à medicina mas que são de vital importância para o tratamento. “Quando a Secretaria de Saúde passou ‘um pente fino’ para tirar dos cargos administrativos pessoas que estavam irregulares também houve a necessidade de dispensar estas profissionais, o que foi muito prejudicial. Existe esta dificuldade, pois há a necessidade destes profissionais nos hospitais, mas não há a categoria profissional. O Serviço é muito beneficente. Então eu vejo a necessidade de se resgatar este profissional. Tem de haver uma maneira de suprir este espaço”. Kiko conta que os pacientes chegaram a fazer um abaixo-assinado para um trazê-los de volta, “eles sentem muita falta”.
O Harmonia Enlouquece pode ser encontrado todas as quartas e sextas, no auditório do CPRJ, com exceção dos dias de show. Os ensaios são abertos.
Luta contra o estigma
Referir-se a pessoas com este e outros transtornos mentais como loucos, esquizofrênicos, lesos ou malucos é rotular e estigmatizar um indivíduo que é portador de uma doença, que pode ser controlada. Para os médicos, estes adjetivos trazem sofrimento e desqualificam o paciente. Estas rotulações geralmente acontecem pela desinformação e o preconceito e geram a exclusão social. O Dr. Miguel Jorge é consultor do programa brasileiro do Open the Doors que no Brasil é chamado de S.O.eSq. Ele conta que a rejeição, a incompreensão e a negligência exercem um efeito negativo na pessoa, acarretando ou aumentando o auto-estigma, ou seja, o próprio paciente desenvolve uma imagem negativa de si mesmo. Na maioria dos casos isso é provocado porque as pessoas próximas aos pacientes não entendem a doença.
Alguns ainda têm idéias erradas a respeito das pessoas com esquizofrenia. Muitos pensam que elas têm “dupla personalidade” e que são perigosos por apresentarem um comportamento agressivo na fase aguda da doença. “As pessoas não sabem o que falam. Meus filhos nem podiam mais andar com os primos, porque suas tias tinham medo de que eles pudessem bater ou fazer mal para os outros. Mas o mal maior era o que elas provocavam neles”, desabafa Diva.
O “Schizophrenia: Open the Doors” é desenvolvido em 20 países em todo o mundo desde 1996. Quando o programa chegou ao Brasil, em 2001, ele também deu origem à Associação de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia, o ABRE [7]. A associação e o S.O.eSq. [8] desenvolvem atividades para os pacientes, para as pessoas próximas a eles, profissionais de saúde e de imprensa com a finalidade de que este quadro negativo seja revertido.
Jorge conta que ao longo dos últimos anos o programa tem ajudado a diminuir o estigma relacionado a alguns transtornos mentais, como a depressão e o pânico, mas ainda não se notou melhora efetiva em relação à esquizofrenia. Ele acredita, no entanto, que a sociedade está mais aberta a receber informações sobre as doenças mentais e cita como um ponto positivo a TV brasileira abordar o tema, como acontece na atual novela das oito. Ele aconselha ainda a todos os familiares e amigos de portadores de esquizofrenia a se associarem ao ABRE, aprender mais sobre a doença e participar de ações que combatem o estigma.
Esquizofrenia e inteligência
Em 1994 o Prêmio Nobel de Economia foi dado ao matemático e economista John Forbes Nash. Ele viveu dividido entre a sua genialidade e a esquizofrenia, que o levou ao internamento inúmeras vezes. A história de Nash tornou-se mundialmente conhecida por ter sido contada no filme “Uma mente brilhante” e ajudou a difundir mais conhecimento sobre a doença e quebrar alguns paradigmas. Desde então, a inteligência e a esquizofrenia passaram a ser associadas no imaginário coletivo. Em 2007, um estudo feito por pesquisadores americanos mostrou que as duas podem sim estar ligadas por um gene que aumenta a habilidade do cérebro de pensar.
A pesquisa feita pelo Instituto Nacional para Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH, na sigla em inglês) [9] sugere que o desenvolvimento além do normal de capacidades intelectuais pode fazer com que determinadas pessoas corram o risco de desenvolver a doença. O trabalho revela que alguns dos fatores genéticos ligados a capacidades cognitivas podem apresentar problemas tornando alguns indivíduos propícios a desenvolverem transtornos mentais. Uma variação comum do gene DARPP-32, que faz com o processo de transmissão de informação seja mais eficiente, também foi ligada às funções cerebrais constatadas em portadores de esquizofrenia, em uma avaliação com 257 famílias com históricos da doença.
Na ocasião da publicação do estudo o coordenador da pesquisa disse que há a possibilidade de um “efeito colateral” com este ganho. Há outros genes e condições de vida que não favoreçam que o cérebro administre o processamento muito veloz de informações, por isso, o efeito pode se tornar um problema e “congestionar” o cérebro, o que poderia provocar os transtornos mentais.
FONTE: Opinião e Noticia. Em 08/04/2009.
URLs in this post:
[1] Associação Brasileira de Psiquiatria: http://www.abpbrasil.org.br/
[2] portal do médico Drauzio Varella: http://drauziovarella.ig.com.br/entrevistas/esquizofrenia7.asp
[3] Image: http://opiniaoenoticia.com.br/wp-content/uploads/1204155253.jpg
[4] Reforma Psiquiátrica: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/relatorio_15_anos_caracas.pdf
[5] Image: http://opiniaoenoticia.com.br/wp-content/uploads/harmonia.jpg
[6] Harmonia Enlouquece: http://www.harmoniaenlouquece.com/
[7] ABRE: http://www.abrebrasil.org.br/
[8] S.O.eSq.: http://www.soesq.org.br/
[9] Instituto Nacional para Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH, na sigla em inglês): http://www.nimh.nih.gov/
13 outubro, 2009
10 outubro, 2009
10 de Outubro: Dia Mundial da Saúde Mental
A OMS define como saúde mental o “estado de bem-estar no qual o indivíduo consegue atingir seu próprio potencial, lidar com o estresse normal da vida, trabalhar e contribuir com sua comunidade”. No Dia Mundial da Saúde Mental, apesar de alguns avanços, o Brasil tem pouco o que comemorar. Pacientes com transtornos mentais e seus familiares ainda enfrentam cotidianamente sérias dificuldades.
A rede de serviços assistenciais para dar conta da diversidade das necessidades dos pacientes com transtornos mentais, agudos e crônicos, diferentes níveis de gravidade e de limitações, prevista na lei 10.216/2001, ainda não saiu do papel. Há grandes lacunas causadas pela inexistência de algumas modalidades de atendimento enquanto alguns dispositivos, cujo custo-benefício ainda não foi bem avaliado, continuam sendo o foco da maior parte do investimento.
Os problemas começam na atenção básica. É nítida a falta de preparo e treinamento da maior parte dos profissionais que atuam nas Unidades Básicas de Saúde e no Programa Saúde da Família. Sem conhecimento ou apoio técnico, não podem identificar os pacientes que precisam de acompanhamento especializado em saúde mental, que podem chegar a 25% das pessoas que utilizam serviços de atenção primária. Sem o diagnóstico precoce, esses pacientes procuram atendimento especializado apenas quando o problema se encontra em fase mais avançada, o que dificulta o tratamento e piora o prognóstico.
Os serviços de emergência psiquiátrica existentes, que deveriam receber os casos mais graves e agudos, descompensados, são em número insuficiente. Por falta de opção, os pacientes nesta situação e seus familiares procuram atendimento nos outros dispositivos da rede que, além de sobrecarregados, não têm estrutura para atendê-los.
A internação psiquiátrica, muitas vezes necessária para proteger o paciente em crise, com agitação psicomotora e risco de comportamento violento ou de suicídio, não pode ser oferecida a todos que precisam dela, por carência de leitos especializados.
Faltam programas de atendimento específico para grupos especiais, como crianças e adolescentes, idosos e população carcerária. Ressaltamos ainda as deficiências das diretrizes governamentais para atendimento dos dependentes de álcool e outras drogas
A esperança é de que o poder público aproveite a ocasião para uma avaliação criteriosa da saúde mental no País. Para que todos tenham o direito ao estado de bem-estar que chamamos de Saúde Mental.
Associação Brasileira de PsiquiatriaFonte: Associação Brasileira de Psiquiatria