E eis que os primeiros frutos deste trabalho com os alunos da graduação de Nutrição também já aparecem em forma de publicação no VI Congresso Brasileiro de Nutrição Clínica, que está ocorrendo de hoje (29) até o dia 02 de dezembro em Natal - RN.
Lá serão apresentados trabalhos de pesquisa com dados resgatados a partir do trabalho realizado na UIPHU.
Devemos parabenizar a Nutricionista Márcia Cândido por ter abraçado o trabalho na UIPHU e estar desenvolvendo em seus alunos a preocupação com o bem-estar e as peculiaridades da saúde dos portadores de transtornos mentais. De parabéns também o Curso de Graduação de Nutrição da UFS e seus alunos que demontram interesse pelo aprendizado e por todos os campos de atuação de sua profissão.
Seguem abaixo os resumos dos trabalhos:
SÍNDROME METABÓLICA EM PACIENTES COM TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS: A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO NUTRICIONAL NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO
Cândido, M.F.; Carvalho, V.C.B.; Macedo, M.S.; Santos, L.M.; Silva, F.P.B.; Souza, R.S.
Introdução: Estudos têm apontado para uma alta prevalência de síndrome metabólica (SM) em pacientes com transtornos psiquiátricos. O relatório da Conferência de Consenso sobre Drogas Antipsicóticas, Obesidade e Diabetes traz recomendações para o monitoramento de pacientes em tratamento psiquiátrico, incluindo, o consumo alimentar dos mesmos. Objetivos: Avaliar a presença de fatores de risco para SM e o perfil nutricional de pacientes em tratamento psiquiátrico. Método: Estudo transversal com uma amostra de 20 pacientes internos na Unidade Psiquiátrica do Hospital Universitário de Sergipe. Os dados foram coletados dos prontuários dos pacientes e foram aferidas medidas antropométricas dos mesmos. Foi utilizado o método de pesagem dos alimentos para coleta dos dados de consumo alimentar. As medidas do consumo de macronutrientes foram ajustadas pelo valor energético. Resultados: A amostra foi composta de 14 pacientes do sexo feminino (70%) e 6 do sexo masculino (30%). A média de idade foi de 34,63 anos. O IMC médio foi 23,07 kg/m² (±6,10), sendo de 21,34 kg/m² (±4,17) para o sexo masculino e 23,81 kg/m² (±6,76) para o sexo feminino. 60% dos pacientes apresentaram eutrofia, 10% baixo peso, 20% sobrepeso e 10% obesidade, sendo todos obesos do sexo feminino. A média de circunferência abdominal para mulheres foi de 87,48 cm (±12,27) e para homens foi de 82,25 cm (±6,59). Os fármacos mais usados por esses pacientes, cujos efeitos adversos (alterações de peso, glicemia e perfil lipídico) estão relacionados à predisposição ao desenvolvimento de SM, foram: os antipsicóticos (80%), anticonvulsivantes (75%) e antidepressivos (30%). Com relação ao consumo, a média de adequação de energia foi 154,63% (±34,63), carboidratos 144,91% (±24,24) e lipídios 105% (±21,45). O consumo protéico apresentou-se adequado para todos os pacientes. Com relação às alterações bioquímicas, 45% dos pacientes apresentaram níveis séricos elevados de colesterol LDL. O risco de desenvolvimento de SM representado por HDL <35>150 mg/dl esteve presente em 25% dos pacientes avaliados e 15% dos pacientes apresentaram glicemia de jejum acima de 99 mg/dl, sendo todos do sexo feminino. Foi encontrado o diagnóstico de hipertensão em 10% dos pacientes. Conclusão: Os pacientes da amostra apresentaram alterações no perfil nutricional e fatores de risco compatíveis com o diagnóstico de SM. A avaliação e intervenção nutricional devem ser prioritárias nesses pacientes.
EFEITOS ADVERSOS DO USO DE FÁRMACOS NO ESTADO NUTRICIONAL DE PACIENTES EM TRATAMENTO DE TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS
Cândido, M.F.; Fonseca, A.C.S.; Macedo, M.S.; Santos, L.M.; Silva, F.P.B.; Souza, R.S.
Introdução: Estima-se que a prevalência de obesidade e alterações nutricionais em pacientes psiquiátricos tratados farmacologicamente é 2 a 5 vezes maior do que na população em geral. Portanto, torna-se importante a avaliação nutricional de pacientes com esses transtornos no Brasil, onde são escassos estudos sobre o tema. Objetivos: Avaliar o perfil nutricional de pacientes em tratamento farmacológico de transtornos psiquiátricos. Método: Estudo transversal com uma amostra de 20 pacientes internos na Unidade Psiquiátrica do Hospital Universitário de Sergipe. Foram coletados os dados clínicos, bioquímicos e prescrição medicamentosa dos prontuários dos pacientes e aferidas as medidas antropométricas dos mesmos. Os dados de consumo alimentar foram coletados através do método de pesagem direta de alimentos. As medidas do consumo de macronutrientes foram ajustadas pela ingestäo energética utilizando-se análise de regressäo linear. Resultados: Dos 20 pacientes da amostra, 14 eram do sexo feminino (70%) e 6 do sexo masculino (30%). A média de idade foi de 34,63 anos. O IMC médio foi 23,07 kg/m² (± 6,10), sendo de 21,34 kg/m² (± 4,17) para o sexo masculino e 23,81 kg/m² (± 6,76) para o sexo feminino. A maioria dos pacientes (60%) apresentou eutrofia, 10% baixo peso, 20% sobrepeso e 10% obesidade, sendo todos obesos do sexo feminino. A média de adequação de energia foi 154,63% (±34,63%), carboidratos 144,91% (±24,24%) e lipídios 105% (±21,45%). O consumo protéico apresentou-se adequado para todos os pacientes. A média de consumo individual de medicamentos foi de 7 tipos por dia. Os fármacos mais consumidos foram os antipsicóticos (80%), anticonvulsivantes (75%), antihistamínicos (45%), antimaníacos (35%), antidepressivos (30%) cujos efeitos adversos são anorexia, alterações de peso, apetite, glicemia e perfil lipídico. Com relação às alterações bioquímicas, 45% dos pacientes apresentaram níveis séricos elevados de colesterol LDL. O risco representado por HDL <35>150 mg/dl foi demonstrado em 25% dos pacientes avaliados e 15% dos pacientes apresentaram glicemia de jejum acima de 99 mg/dl, sendo todos do sexo feminino. Conclusão: Os pacientes da amostra apresentaram alterações no consumo alimentar e perfil nutricional que podem estar relacionados aos efeitos adversos do consumo de fármacos no tratamento dos mesmos.