
Rio de Janeiro, 13 de junho de 2009
APELO AOS SENHORES MÉDICOS PSIQUIATRAS
A AFDM BRASIL, em nome de milhares de familiares de doentes mentais, vem apelar aos ilustres médicos que se pronunciem frente à OPINIÃO "NA CONTRAMÃO" do importante jornal “O GLOBO” (veja em anexo), publicada na edição de 13.06 do corrente ano.
Não há duvida, está ocorrendo no País um perverso e criminoso excesso de mortalidade de doentes mentais correlacionado à política oficial de saúde mental do Ministério da Saúde, conforme bem demonstrado em estudo científico, baseado nos dados oficiais da DATASUS, apresentado no SEMINÁRIO SAÚDE MENTAL, POLÍTICA E MÍDIA ocorrido, nos dias 5 e 6 dezembro de 2008, na cidade do Rio de Janeiro.
Neste evento aprovou-se a CARTA DO RIO DE JANEIRO (veja abaixo) e divulgou-se o Apelo ao Presidente Lula (veja abaixo) que, entre outras denúncias, busca a punição dos responsáveis pelo genocídio de doentes mentais no Brasil
Saudações
Marival Severino da Costa
Presidente da AFDM BRASIL
CARTA DO RIO DE JANEIRO
SEMINÁRIO DE SAÚDE MENTAL, POLÍTICA E MÍDIA
05 E 06 DE DEZEMBRO DE 2008
Os amigos, familiares e doentes mentais do Brasil e da Itália e os profissionais de saúde mental reunidos na cidade do Rio de Janeiro, considerando que o modelo assistencial dos dois países - Brasil e Itália - provocou um absurdo excesso de mortalidade por transtornos mentais e comportamentais (doenças psíquicas), bem como, um gritante número de doentes mentais nas ruas e nas cadeias, aprovaram:
Lutar pela mudança da política oficial no Brasil fazendo cumprir a Lei 10216/01 e pela substituição da Lei 180 de 1978 na Itália, solicitando apoio de organismos nacionais e internacionais.
Constituir a Associação Mundial de Amigos, Familiares e Doentes Mentais.
Apoiar a difusão do “APELO AO PRESIDENTE LULA” apresentado pelo Senhor Mario Comuzzi, familiar e morador em Trieste/Itália.
Preconizar que o modelo assistencial preventivo e curativo em Psiquiatria deve respeitar a Declaração Universal de Direitos Humanos que completará 60 anos em 10 de dezembro de 2008.
Responsabilizar os dirigentes que implementaram a política GENOCIDA perante os Tribunais Nacionais e Internacionais.
Encaminhar a CARTA DO RIO DE JANEIRO aos órgãos nacionais e internacionais de defesa dos direitos Humanos, aos conselhos profissionais e demais entidades envolvidas e interessadas nas questões dos doentes mentais.
Respeitar o Prêmio Vladimir Herzog pela notória competência e seriedade dos membros de sua Comissão Julgadora, solicitando o apoio da Associação Brasileira de Imprensa e demais organizações nacionais e internacionais que congregam jornalistas e as empresas de comunicação, visando a divulgação dos direitos aqui reivindicados.
Rio de Janeiro, 06 de dezembro de 2008
APELO AO PRESIDENTE LULA
Presidente Lula,
Sua pessoa exprime confiança, se vê uma figura paterna, inspira simpatia. Tenho em comum com você uma longa experiência como operário, de bombeiro e mecânico em navios, trabalhei por 52 anos. Deixe que lhe faça este apelo.
A Itália teve a tristeza de, há 30 anos, fazer uma lei sobre a saúde que não possuía nenhuma base, nenhuma justificação científica. Tratava da saúde das pessoas mais frágeis, mais vulneráveis, que tem maior necessidade de assistência, os doentes mentais. Foram reenviados a casa como encomenda postais, fecharam as portas as suas costas, condenando-lhes a viverem nas ruas. Dezenas de milhares de famílias foram transformadas em manicômios criando situações terríveis que em uma família não é possível se conviver.
Esta lei irresponsável ocasionou um massacre avaliado em cerca de 30 mil mortes. Os profetas desta lei declaram que a doença mental não existe: pela primeira vez na história uma doença foi vencida por um decreto de lei. Diziam que os psiquiatras eram inúteis e iriam desaparecer em vez disso, são mais numerosos que em qualquer período, e os doentes aumentaram enormemente porque não são tratados na fase inicial e condenados a cronicidade. São falsos profetas. Fingem certa inclinação política, mas simplesmente para haverem total proteção. São médicos incompetentes: são responsáveis pelas mortes de tantos jovens.
Presidente, estes indivíduos são mentirosos: usam e fazem usar o slogan contra o manicômio, criam os seus próprios manicômios escondidos na cidade, que escapam de qualquer controle, custodiados por pessoas, privadas de qualquer preparação, onde acontece de tudo.
Eu denuncio o seqüestro e contenção química que existe na cidade de Trieste, onde esta terrível infecção se iniciou. Todos os campos da Medicina cumprimentam alegremente os maravilhosos progressos que vêm da pesquisa científica. No campo dos distúrbios mentais estamos encontrando tratamentos sempre mais eficazes.
Porque a estes doentes deve ser negada a assistência de profissionais especializados, e serem confiados a dogmáticas políticas que discutem eternamente sobre os livros sacros dos anos sessenta?
Presidente, uma lei delirante na Itália favoreceu a consolidação de uma casta intocável, que gerou corrupção e abuso de poder, infinitos sofrimentos e tanta dor.
Não permita que isto aconteça no seu grande e maravilhoso País.
Rio de Janeiro, 05 de dezembro de 2008
Mario Comuzzi
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO MUNDIAL DE AMIGOS, FAMILIARES E DOENTES MENTAIS
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