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27 outubro, 2009

Eles revelaram que tiveram depressão

Selton Mello revela que já sofreu de depressão

Selton Mello/ReproduçãoQuem pensa que as celebridades são perfeitas e não possuem nenhum problema, se engana. O ator Selton Mello, que atualmente divulga seu novo filme “A Mulher Invisível”, com quem contracena com Luana Piovani, revelou em entrevista para a revista “Veja” que já teve depressão.

Ele conta que tudo aconteceu no ano passado, quando resolveu parar de tomar remédios para emagrecer e chegou a pesar mais de 100 kg.

“Vivi um inferno”, afirma ele.

A depressão foi tão grave que o ator pensou até em largar sua carreira artística.

“Isso foi no auge do desconforto. Estou redescobrindo o prazer de atuar”, disse.

Selton Mello faz agora análise, para não deixar que a depressão tome conta dele denovo. Além disso, o rapaz se exercita com grande frequência e se sente muito satisfeito com esse novo ritmo.


Luiza Thomé
sofreu com a perda da sogra


Quem confere o trabalho de Luiza Thomé na TV e sua ousadia em posar nua pela segunda vez numa revista masculina, depois de se tornar mãe de gêmeos, não imagina o quanto a atriz já sofreu com a Síndrome do Pânico.

"Depois que meu filho Bruno nasceu, quando tinha meses, fui ao inferno e voltei. Foi um período difícil”, contou em entrevista à revista Quem.


Luiza sofreu de depressão pós-parto associada à síndrome do pânico. Para ela, a principal causa foi a perda da sogra, vítima de câncer. A atriz passou a não sair mais de casa, com medo que algo ruim acontecesse a ela ou ao filho.

"Foi um ano e meio no buraco. Melhorei, mas foi uma luta. Tive medo de não ficar boa. Fiz tratamento com antidepressivos e terapia”, lembra.


Wanderley Cardoso não digeriu o ostracismo

O glamour dos tempos da Jovem Guarda ficou na lembrança. Mas, foi difícil para Wanderley Cardoso entender que nada é para sempre. Convertido à religião evangélica, o ídolo da jovem guarda costuma fazer pregações, contando como alguém acostumado com o sucesso, com dinheiro e fama, aprende a conviver com os altos e baixos. Wanderley teve tédio da sua própria vida e isolado, no anonimato, entregou-se ao vicio da bebida, chegando a tentar o suicídio.

“Consegui quase tudo na vida: músicas na parada de sucessos, dinheiro, carrões. Com o tempo, o sucesso foi passando, a mídia me esquecendo, entrei em depressão, bebendo demais, além de conviver com pessoas de má reputação até chegar ao fundo do poço. Só não morri, porque Deus não deixou. Sei que o meu redentor vive. Sou um homem recuperado, sem tédio da vida e vivo a cantar as maravilhas de Deus. Tenho uma mulher maravilhosa, que me amparou e me ampara em todos os momentos”, revelou o cantor no lançamento de seu CD gospel, Você Merece Ser Feliz.


Dóris Giesse pensou em se matar

Em novembro de 2002, Dóris Giesse reapareceu de uma maneira que ninguém gostaria de tê-la visto: depressiva, sem auto-estima e sem perspectiva. A ex-apresentadora de programas como Fantástico e Dóris Para Maiores confessou que havia se entregado ao vício da bebida e chegou a tentar o suicídio por conta de problemas no casamento.

“Foi uma fase horrível. Tive muito medo, pânico de tudo e todos. É difícil recomeçar, mas a gente cria forças. Estou com projetos de voltar à TV”, conta ela à reportagem de O Fuxico.



Vera Gimenez

“Tive depressão em seguida do câncer de mama e convivo com ela desde então. Tive essa doença há 10 anos e, nos últimos cinco, fui aconselhada pelos meus médicos a tomar anti-depressivos. Eu quero deixá-los, mas isso precisa ser feito com calma. Os remédios me ajudam a ter equilíbrio pois, sem eles, fico irritada com muita facilidade”.


Colin Farrell

Colin Farrell se submeteu a tratamento psiquiátrico por seis meses. O ator procurou o médico, quando era adolescente, por causa de problemas com drogas e álcool que resultaram em uma forte depressão.

“Eu tinha 18 anos. Tomava muitas coisas na época e me perdi completamente. O médico não fez muita coisa. Ele apenas me ouvia e isso foi muito bom.”


Kelly Osbourne

Kelly Osbourne sofreu um colapso mental, no ano passado. Depois, "12 meses no inferno”, como define.

Kelly admite que teve uma depressão, depois de uma série de desastres pessoais que se sucederam desde o final de 2002.

Durante aquele ano, Kelly soube que a mãe sofria de câncer, seu namorado Bert McCracken rompeu com ela, seu cachorro morreu e seu irmão Jack teve que ser internado para reabilitação do vício em drogas.

Kelly também teve que lidar com o fato de seu pai voltar a beber, quando soube da doença da mulher e, finalmente, foi pega de surpresa quando Ozzy sofreu um acidente quase fatal no final de 2003.

“Tudo parecia estar piorando e piorando e, para ser honesta com você, acabei tendo um ataque nervoso,” revela Kelly.


Ewan McGregor

Ewan McGregor conta que começou a beber como forma de lidar com a depressão causada por seu papel em Star Wars.

A carreira do ator escocês teve uma ascensão meteórica, quando interpretou o jedi Obi-Wan Kenobi. Mas, em seguida, começou a sofrer as pressões de uma estrela de cinema internacional e não suportou.

Fora isso, no começo das filmagens, Ewan odiou seu personagem por ter que, em geral, gravar sem cenário, para a inclusão de efeitos especiais.

“Eu costumava beber antes das entrevistas, porque achava que a bebida me ajudava a falar. O que aconteceu foi que saí falando coisas que nunca deveria dizer. Coisas estúpidas. Depois de O Ataque dos Clones, parei de beber antes das entrevistas. Agora, lido bem com elas e estou feliz com o resultado".


Sadie Frost

Sadie Frost passou por um período crítico em sua vida, quando se separou do ator Jude Law.

A separação veio pouco depois do nascimento de seu terceiro filho com Law e a angústia natural do rompimento se misturou à depressão pós-parto, o que levou Sadie ao hospital.

Depois de uma breve internação, Sadie passou a tratar-se com anti-depressivos.


David Arquette

Courteney Cox salvou o marido David Arquette (Pânico 1, 2 e 3 e Spot – Um Cão da Pesada) de experiências com heroína, cocaína, álcool e de auto-mutilação.

“Eu experimentei de tudo,” declara David. Queria fazer experiências, mas fui longe demais.”

Apesar de seus trabalhos cômicos, David tem um lado obscuro, tem crises intensas de depressão e tentou se suicidar aos 15 anos de idade.

Seu corpo é coberto de cicatrizes de ferimentos feitos por ele mesmo. Há também queimaduras feitas com cigarro.

Foi Courteney que deu um jeito nisso tudo. Ela o incentivou a procurar os Alcoólicos Anônimos, a fazer terapia e a amar e se deixar amar.


Princesa Margareth

A Princesa Margareth da Inglaterra, filha de Elizabeth II, faz tratamento contra a depressão com o famoso psquiatra Dr. Mark Collins, que já cuidou de outras celebridades em crise depressiva como Kate Moss, Paula Yates e Sadie Frost.

Em 2000, a princesa teve uma crise tão severa, que a família real a manteve fora do alcance da imprensa e do público.


Marie Osmond

Marie Osmond, membro do grupo Osmond Brothers, famoso nos anos 1970, lançou o livro chamado Behind the Smile onde fala de sua longa batalha contra a depressão.

Entre as revelações, Marie conta que sofreu abuso sexual por toda sua infância e adolescência.

Marie não quis revelar o nome do culpado, só adiantou que não se tratava de um membro da família nem de amigos.


Robbie Williams

Em 2001, Robbie Williams sofreu de uma grande falta de confiança em si mesmo, que o forçou a se retirar um pouco de cena para se reencontrar.

Mesmo tendo uma carreira de sucesso e milhares de fãs no mundo inteiro, Robbie entrou em depressão e tem consciência disso.

O cantor, que já foi dependente de álcool e drogas, explicou na época:

“Fazer shows pode ser muito traumatizante e é também muito cansativo fazer um após o outro. Não quero abandonar minha carreira. Sei que preciso continuar, mas tenho medo. É isso.”


Ben Affleck

Quando Ben Affleck parou de beber, entrou em depressão.

Para compensar a angústia, o galã comia e, com isso, engordou sete quilos num curto período de tempo.

Na época, o ator declarou que não estava preocupado com a forma e sim com sua recuperação.

Foi uma sábia decisão pois, quando melhorou, sentiu-se fortemente motivado a retomar sua antiga forma.


Luis Miguel


O cantor mexicano Luis Miguel já passou por dois graves períodos de depressão na vida, embora confesse que nunca passou por sua cabeça a idéia de suicídio.

Quando a mãe, a cantora italiana Marcela Basteri, desapareceu, no dia 18 de agosto de 1986, o artista quis até abandonar a carreira artística por não saber nada sobre o paradeiro dela, que até hoje está desaparecida.

No Natal de 2003, o cantor emocionou o público ao confessar que seu melhor presente seria rever a mãe. Parentes diretos de Marcela chegaram a acusar o pai de Luis de tê-la mandado matar, porque Basteri se metia muito na carreira do filho.

A segunda forte depressão do cantor veio com a morte do pai, o guitarrista espanhol Luisito Rey:

"Ele era muito jovem e talvez amasse mais o pai do que a mãe. A morte de Luisito deixou um vazio profundo em Luis Miguel que, na época, chegou a anunciar um retiro. Já não queria ser cantor, porque seu maior incentivador e maestro se fora. Foram anos de depressão e até hoje Luis Miguel sofre com essa perda que aconteceu há 12 anos", diz a jornalista Claudia de Icaza, autora da biografia não-autorizada do artista.

Sobre esses temas tristes de sua vida privada, o cantor não gosta de falar:

"Às vezes, o artista tem um lado triste e obscuro, um mistério. Se alguém vai falar da minha vida privada, serei eu algum dia. Meus melhores amigos são o sol e o mar. Eles me revitalizam e me enchem de alegria", diz.


Victoria Ruffo (A Madrasta)

A atriz mexicana Victoria Ruffo, protagonista da novela A Madrasta exibida atualmente nas tardes do SBT, há dez anos foi vítima da depressão, mas explica que teve motivos de sobra para apresentar esse quadro: foi justamente quando soube que o casamento de conto-de-fadas que teve com o comediante mexicano Eugenio Derbez não passara de uma farsa.

Na época, Victoria estava grávida do primeiro filho José Eduardo e Eugenio organizou todo o casamento. Ela descobriu, meses depois, que tanto o padre como o juiz que a casaram, eram atores contratados pelo marido, que não tinha o menor interesse em desposá-la.

Apenas no ano passado Victoria e Derbez voltaram a se falar, pois continuam trabalhando na mesma emissora, a Televisa:

"Fiquei com vergonha do mundo. Não queria sair de casa, não queria falar com ninguém, não queria aparecer na televisão. Foi um baque muito forte, porque eu estava verdadeiramente apaixonada", diz Ruffo.

Hoje, Victoria está casada com o deputado Omar Fayad e tem um casal de gêmeos.


Thalia


A cantora mexicana Thalia admitiu ao programa latino El Show de Cristina que viveu uma séria depressão, quando suas irmãs Laura Zapata e Ernestina Sodi foram seqüestradas em setembro de 2002.


Antes de culpar a imprensa pelo seqüestro das irmãs, Thalia culpou a si mesma, pois sentiu desde o primeiro momento que, por ela ser quem é e estar casada com um dos empresários discográficos mais importantes dos Estados Unidos, acabou fazendo de sua família um alvo fácil para os bandidos.

"Tommy me apoiou o tempo todo e me ajudou a enxergar que eu não tinha culpa. Foi um momento muito difícil e doloroso, porque o único momento de depressão que eu havia tido até então foi quando, aos cinco anos de idade, perdi meu pai. Naquela época, passei um ano inteiro sem falar", explica a artista.


Brooke Shields


Para a atriz Brooke Shields, a depressão pós-parto é a outra cara de ser mãe. A atriz de Lagoa Azul não teve preconceito ao revelar ao mundo que pensou até em se suicidar, depois do nascimento da filha Rowan.


Com o objetivo de ajudar a outras mães que passam pelo mesmo problema que ela passou, Shields escreveu o libro Down Came the Rain, onde relatou sua dura batalha contra a depressão:

"Não queria me levantar da cama, apenas conseguia dar um pouco de atenção à minha filha que tanto lutei para conceber", diz.

Brooke também aconselha:

"A depressão tem cura. Corram atrás, busquem ajuda médica. Ter depressão pós-parto não significa que você não seja uma boa mãe".



Letícia Calderón

A atriz mexicana Leticia Calderón, que protagonizou a versão original da novela Esmeralda, quando soube que o primeiro filho Luciano tinha síndrome de Down, já na sala de parto, entrou numa depressão profunda:
"Cheguei a renegar meu próprio filho. Não podia aceitar a idéia de que eu não tinha conseguido dar à luz uma criança sadia", disse Lety à revista mexicana TVnotas.

A atriz admite que demorou cerca de dois meses para aceitar o filho e seu companheiro Juan Collado foi o primeiro a ajudá-la:

"Juntos, buscamos um médico terapeuta que me ajudou a superar a depressão. Precisei de remédios e hoje tenho até remorso de não ter aceitado meu filho, em seu primeiro instante de vida. Hoje, já completamente curada dessa depressão, posso afirmar que fui a escolhida de Deus, porque foi Ele quem quis que Luciano nascesse num lar tão lindo como o meu", comenta, emocionada.

20 outubro, 2009

Esquizofrenia: vivendo dentro e fora da realidade

Por Emanuelle Bezerra

“Nunca soube diferenciar muito bem o que eu vivia de verdade e o que eu inventava”. Diva O. teve que conviver com esta vida dividida entre o real e o imaginário até o casamento, quando seu marido percebeu algumas características incomuns e a levou ao psicólogo. Ela logo foi encaminhada a um psiquiatra que finalmente a diagnosticou como portadora de esquizofrenia. A doença, que acomete cerca de 1% da população mundial, não é tão facilmente identificada. Diva passou toda a juventude apresentando os indícios, mas sua família nunca desconfiou que a menina que queria morar em um submarino acreditava mesmo que fazia parte da “Força Secreta de Inteligência do Brasil”.

A perda de contato com a realidade é um dos principais sintomas para o diagnóstico, traçado a partir do histórico do paciente. Não há causas exatas e nem ao menos um exame laboratorial específico. O que se sabe é que a esquizofrenia é uma doença relativamente comum e que seus portadores podem experimentar mudanças na sua forma de pensar e sentir. Com isso, suas relações afetivas e sua capacidade de viver em sociedade podem ser prejudicadas.

Para muitos pesquisadores a esquizofrenia é resultado de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. O Dr. Miguel Jorge, professor associado do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP, acredita que a hereditariedade é um fator importante, mas que o ambiente deve ser de igual forma observado. Ele exemplifica com gêmeos univitelinos, que caso um deles apresente a doença, a probabilidade de o outro também apresentar é de 60 a 70%. “Como eles têm exatamente a mesma carga genética, se a esquizofrenia fosse determinada apenas por fatores genéticos, esta probabilidade deveria ser de 100%. Isto demonstra que fatores psicossociais também contribuem para a determinação da esquizofrenia”.

Diva foi a primeira em sua família a apresentar o transtorno, mas para sua surpresa seus três filhos, todos homens, com idades de 22, 19 e 18 anos, também desenvolveram a doença na adolescência. Apesar de já ter sido tranquilizada inúmeras vezes pelos médicos e terapeutas que acompanham a família, ela se culpa pela condição dos meninos. “Em mim a doença apareceu mais tarde. Eu já tinha meus 27 anos. Já meus filhos desde muito novos foram diagnosticados. Eu sei que é por conta de alguém como eu tê-los educado”. Quanto à idade para o surgimento da doença ela está enganada, pois segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria [1] a esquizofrenia se manifesta mais tarde nas mulheres, entre os 20 e 30 anos, e nos homens o aparecimento ocorre no início da adolescência, por volta dos 15 anos.

Wagner Gattaz, psiquiatra e professor do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, acredita que a esquizofrenia é uma doença própria da condição humana. Ele baseia-se no fato do transtorno se manifestar universalmente, em todas as etnias, culturas e classes. Em entrevista ao portal do médico Drauzio Varella [2], ele diz que nem tudo pode ser explicado pela genética, mas usa o mesmo exemplo do Dr. Miguel Jorge, o caso dos gêmeos, para dar maior destaque à hereditariedade. Os dois médicos concordam, entretanto, que os fatores ambientais são muito mais profundos do que, por exemplo, a criação dada à pessoa, como pensa Diva. Eles variam das condições obstétricas, período do ano em que a pessoa nasce — há um número maior de portadores da doença nascidos nos meses mais frios –, a dieta e até mesmo o uso de drogas na adolescência. Dr. Gattaz completa dizendo que a doença é realmente muito comum. Em cada 100 mil habitantes, surgem de 30 a 50 novos casos por ano. Atualmente, 5% da população mundial têm esquizofrenia. No Brasil, segundo o psiquiatra, há 800 mil habitantes portadores da doença.

Confusão de pensamentos

Existem vários níveis de manifestação da esquizofrenia. Na fase inicial, os transtornos do pensamento, os delírios e as alucinações são os sintomas mais comuns. Os delírios são gerados a partir de um julgamento errado a respeito da realidade. Mesmo que haja provas contrárias à crença do indivíduo, ele fica tão convicto que não aceita a argumentação lógica. Além disso, o portador tem a sensação de que os seus pensamentos estão sendo influenciados, controlados ou até mesmo transmitidos para fora da cabeça. Há ainda os que acreditam ter poderes especiais ou funções excessivamente importantes para o mundo.

Em outro momento podem ocorrer alucinações, que são percepções falsas, mas que para o doente são extremamente reais. As mais comuns são as auditivas, que fazem o paciente pensar que está ouvindo barulhos, músicas e vozes. Elas podem ser claras ou apenas sussurradas. Muitos pacientes relatam ouvir ordens e comentários a respeito das outras pessoas. Um portador de esquizofrenia pode também ver objetos e até mesmo pessoas, com as quais passa a interagir. Em um momento mais avançado há alucinações olfativas e gustativas, que em geral ocorrem juntas, quando o indivíduo sente cheiros e gostos ruins. Também há alucinações táteis, que são sensações de toque, picadas, insetos rastejando sobre a pele e choques elétricos.

Outro sintoma da esquizofrenia são os distúrbios formais do pensamento. A pessoa tem dificuldade de fazer conexão entre um tópico e outro, na falta de palavras para se expressar ela cria novas, repete sílabas e passa a emitir sons ao invés de dizer o vocábulo completo. Além disso, ela pode sofrer bloqueios de pensamentos e assim deixar a fala desorganizada ou fragmentada. A comunicação verbal pode se tornar impossível para os pacientes. Nesta primeira fase já é possível identificar o tipo de esquizofrenia que o indivíduo apresenta. Entre os mais comuns estão a paranóide, catatônica, simples e depressiva, ainda que não se faça mais nenhuma categorização da doença.

Esquizofrenia

De acordo com o Dr. Miguel Jorge, o delírio paranóide e as alucinações são os mais prejudiciais, pois eles comprometem a vida cotidiana do paciente. O delírio paranóide geralmente acontece na fase aguda da doença e pode desaparecer na fase crônica, dando espaço para outros tipos de manifestação. O professor explica ainda que a esquizofrenia é um quadro essencialmente psicótico e assim pode não existir diferença alguma entre os sintomas característicos da fase aguda da doença e os de outras psicoses. O comprometimento da afetividade – o chamado “embotamento afetivo”, que se dá neste primeiro momento, pode ser um diferencial para outros quadros de natureza psicótica, tornando o diagnóstico mais claro.

Vida social prejudicada

A esquizofrenia pode causar a deterioração do comportamento social. O paciente começa a se isolar no mundo que constrói com seus delírios e alucinações e fica inacessível ao mundo exterior. Ele começa a ter menos iniciativa e pode ainda transgredir regras sociais, como despir-se em público. Podem ser surpreendidos falando sozinhos, gesticulando e tendo expressões faciais impróprias. Há aqueles que passam a ser descuidados com sua higiene pessoal ou a se vestir de forma inapropriada. Diva conta que seu filho mais velho, Marcelo, não tirava o uniforme da escola de futebol que frequentou até os 16 anos, quando começou a apresentar os sintomas. Até que na comemoração de seu décimo sétimo aniversário ele apareceu no playground com a roupa completa, meia até o joelho e chuteiras, mas a festa não era temática. O rapaz não ficou para cortar o bolo, não suportou as risadas dos convidados e passou a noite trancado no quarto. Esta foi a primeira vez que Diva viu o filho isolar-se, e desde então a comunicação com Marcelo foi ficando cada vez mais prejudicada.

Dos seus três filhos, ele é o que tem menos controle sobre a doença. Durante algum tempo Marcelo rejeitou os medicamentos e tornou-se bastante agressivo com a família. Hoje, com mais domínio sobre suas emoções, o rapaz já aceita ser medicado e faz terapias alternativas ao tratamento com remédios. Ele está na fase crônica da doença e, como demorou a ser tratado corretamente, tem uma recuperação mais lenta que a dos irmãos. Ele ainda apresenta o chamado estupor catatônico, que é a situação na qual o paciente fica imóvel por um período longo de tempo e perde os controles motores. “Da última vez estávamos em uma loja de departamento olhando os celulares novos. Nem iríamos comprar nenhum. Estávamos só olhando os novos modelos. Mas enquanto a vendedora explicava para ele como usava o aparelho que estava em sua mão, Marcelo perdeu o controle do braço que ficou estendido imóvel e deixou o celular cair. A vendedora, muito gentil não reclamou de o celular ter caído no chão, mas assim que voltou ao estado normal ele quis comprar o aparelho, que estava arranhado atrás”.

Transtornos motores como o de Marcelo também são sintomas comuns nesta fase da doença. O indivíduo pode ficar paralisado, como o filho de Diva, ou ter uma atividade motora sem objetivo e incontrolável, que é o excitamento catatônico. Também é comum que o paciente apresente maneirismos, que são atividades normais, mas exercidas fora de contexto. A estranheza que causam nas pessoas ao apresentar estes sintomas também colabora para o isolamento social, pois o paciente se sente desconfortável com a reação dos que estão ao seu redor. O passo seguinte a isso é a diminuição na resposta afetiva. Muitos se sentem “vazios de emoção” e por não conseguirem transmitir o que estão sentindo ou o entendimento que têm a respeito do mundo, tornam-se indiferentes ou apáticos.

A melhor maneira de tratar

Não é possível tratar um portador de esquizofrenia sem medicação, ainda que as doses possam ser paulatinamente diminuídas. No entanto, existem dispositivos que podem ser agregados ao tratamento que possibilitarão a reintegração mais rápida do paciente na sociedade. O Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ) é um dos pioneiros em agrupar dispositivos ao tratamento de transtornos mentais. Os pacientes conseguem ter lá dentro uma vida produtiva e bem normal.

Um exemplo é a oficina de culinária, onde há toda uma dinâmica médica por trás do ato de cozinhar. Existe ainda no hospital oficina de artes, biblioteca, na qual os monitores são os próprios pacientes, além de uma lavanderia. Por meio destas oficinas é possível gerar renda para os pacientes, uma vez que o que eles produzem pode ser vendido na cantina e no bazar do hospital.

O psicólogo Sidney Dantas, que também é musicoterapeuta do CPRJ, conta que esses dispositivos no tratamento, seriam inimagináveis nas décadas passadas, antes da Reforma Psiquiátrica [4], que teve início em 1970. “A partir desta data o que acontecia nos ‘porões’ dos sanatórios começou a vir à tona. Era uma falta de humanidade da própria classe médica, tratamentos violentos, que quando foram expostos, obrigaram as autoridades reformar o sistema”, conta. Quando ele chegou ao CPRJ ele foi para integrar o quadro de psicólogos, mas logo foi indicado para começar o tratamento com a música. “A aproximação com a arte, com a música é natural. O sujeito vem porque gosta de música, gosta de tocar, de cantar e isso já permite o tratamento. É claro que este dispositivo terapêutico não substitui os outros”.

O tratamento do portador de esquizofrenia em sua maioria era baseado no isolamento. A rotina não permitia que ele tivesse uma vida normal. Com a arte, vista inicialmente como um complemento, isso mudou. Segundo Dantas, o isolamento não permitia a melhora no quadro clínico, existiam atividades, mas eram impostas pelo Hospital. As oficinas de arte não funcionam assim, a iniciativa é do paciente. O psicólogo afirma que este dispositivo atende a uma necessidade real. “Desta maneira o paciente pode se expressar, interagir com o mundo, se sentir útil e aceito. Há algo que ele sabe fazer bem. Então escolhe as atividades com as quais tem mais afinidade e descobre e mostra seus talentos”.


O tratamento do portador de esquizofrenia em sua maioria era baseado no isolamento. A rotina não permitia que ele tivesse uma vida normal. Com a arte, vista inicialmente como um complemento, isso mudou. Segundo Dantas, o isolamento não permitia a melhora no quadro clínico, existiam atividades, mas eram impostas pelo Hospital. As oficinas de arte não funcionam assim, a iniciativa é do paciente. O psicólogo afirma que este dispositivo atende a uma necessidade real. “Desta maneira o paciente pode se expressar, interagir com o mundo, se sentir útil e aceito. Há algo que ele sabe fazer bem. Então escolhe as atividades com as quais tem mais afinidade e descobre e mostra seus talentos”.

Banda integrada por médicos e pacientes do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro [5]
Banda integrada por médicos e pacientes do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro

A partir destas oficinas nasceu dentro do CPRJ o grupo Harmonia Enlouquece [6], que conta com a participação de médicos, funcionários e principalmente dos pacientes. O grupo é um espaço aberto, que funciona como terapia desde 2001. Nestes oito anos, 40 pessoas já passaram pelo grupo que visa, antes de tudo, a saúde mental dos participantes.

A estrela do grupo, como apontam os outros integrantes, é Hamilton Assunção, músico e compositor. Ele recebeu o diagnóstico da doença há 25 anos e diz que só conseguiu melhorar de suas crises após integrar o grupo. O compositor se sentia muito privado do convívio social. E descobriu com a música que tudo é uma questão de querer se tratar. “A sociedade não tem respeito pela fragmentação do indivíduo. Sofri muito com as piadas de maluco. Sofri por querer interagir com as pessoas ao meu redor e não saber como. Aqui eu interajo não só com os amigos mas com os especialistas que sabem como tratar o doente. É uma melhora e tanto. Aqui existe um amor, uma identificação de ser humano. Eles dizem que se curam a interagir com a gente. Antes de vir me tratar aqui eu brigava à toa e era descontrolado, hoje sou muito mais tranqüilo”.

Hamilton conta que tudo o que escreve tem um “porquê” e “um para quem”. São recados para a sociedade. Ele é procurado por pesquisadores e produtores para compor músicas sobre os problemas sociais, como a luta contra o estigma da esquizofrenia. Uma de suas músicas, a Sufoco da Vida, estará na novela das oito e sua voz será dublada por um dos atores. Ele já está trabalhando no tema da próxima novela do horário nobre, retratará os problemas enfrentados por portadores de HIV.

O diretor do CPRJ Francisco Sayão, conhecido como Kiko, também integra o Harmonia Enlouquece e conta que o quadro de funcionários do Hospital já contou com uma bailarina e uma atriz. Profissionais que não estão diretamente relacionados à medicina mas que são de vital importância para o tratamento. “Quando a Secretaria de Saúde passou ‘um pente fino’ para tirar dos cargos administrativos pessoas que estavam irregulares também houve a necessidade de dispensar estas profissionais, o que foi muito prejudicial. Existe esta dificuldade, pois há a necessidade destes profissionais nos hospitais, mas não há a categoria profissional. O Serviço é muito beneficente. Então eu vejo a necessidade de se resgatar este profissional. Tem de haver uma maneira de suprir este espaço”. Kiko conta que os pacientes chegaram a fazer um abaixo-assinado para um trazê-los de volta, “eles sentem muita falta”.

O Harmonia Enlouquece pode ser encontrado todas as quartas e sextas, no auditório do CPRJ, com exceção dos dias de show. Os ensaios são abertos.

Luta contra o estigma

Referir-se a pessoas com este e outros transtornos mentais como loucos, esquizofrênicos, lesos ou malucos é rotular e estigmatizar um indivíduo que é portador de uma doença, que pode ser controlada. Para os médicos, estes adjetivos trazem sofrimento e desqualificam o paciente. Estas rotulações geralmente acontecem pela desinformação e o preconceito e geram a exclusão social. O Dr. Miguel Jorge é consultor do programa brasileiro do Open the Doors que no Brasil é chamado de S.O.eSq. Ele conta que a rejeição, a incompreensão e a negligência exercem um efeito negativo na pessoa, acarretando ou aumentando o auto-estigma, ou seja, o próprio paciente desenvolve uma imagem negativa de si mesmo. Na maioria dos casos isso é provocado porque as pessoas próximas aos pacientes não entendem a doença.

Alguns ainda têm idéias erradas a respeito das pessoas com esquizofrenia. Muitos pensam que elas têm “dupla personalidade” e que são perigosos por apresentarem um comportamento agressivo na fase aguda da doença. “As pessoas não sabem o que falam. Meus filhos nem podiam mais andar com os primos, porque suas tias tinham medo de que eles pudessem bater ou fazer mal para os outros. Mas o mal maior era o que elas provocavam neles”, desabafa Diva.

O “Schizophrenia: Open the Doors” é desenvolvido em 20 países em todo o mundo desde 1996. Quando o programa chegou ao Brasil, em 2001, ele também deu origem à Associação de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia, o ABRE [7]. A associação e o S.O.eSq. [8] desenvolvem atividades para os pacientes, para as pessoas próximas a eles, profissionais de saúde e de imprensa com a finalidade de que este quadro negativo seja revertido.

Jorge conta que ao longo dos últimos anos o programa tem ajudado a diminuir o estigma relacionado a alguns transtornos mentais, como a depressão e o pânico, mas ainda não se notou melhora efetiva em relação à esquizofrenia. Ele acredita, no entanto, que a sociedade está mais aberta a receber informações sobre as doenças mentais e cita como um ponto positivo a TV brasileira abordar o tema, como acontece na atual novela das oito. Ele aconselha ainda a todos os familiares e amigos de portadores de esquizofrenia a se associarem ao ABRE, aprender mais sobre a doença e participar de ações que combatem o estigma.

Esquizofrenia e inteligência

Em 1994 o Prêmio Nobel de Economia foi dado ao matemático e economista John Forbes Nash. Ele viveu dividido entre a sua genialidade e a esquizofrenia, que o levou ao internamento inúmeras vezes. A história de Nash tornou-se mundialmente conhecida por ter sido contada no filme “Uma mente brilhante” e ajudou a difundir mais conhecimento sobre a doença e quebrar alguns paradigmas. Desde então, a inteligência e a esquizofrenia passaram a ser associadas no imaginário coletivo. Em 2007, um estudo feito por pesquisadores americanos mostrou que as duas podem sim estar ligadas por um gene que aumenta a habilidade do cérebro de pensar.

A pesquisa feita pelo Instituto Nacional para Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH, na sigla em inglês) [9] sugere que o desenvolvimento além do normal de capacidades intelectuais pode fazer com que determinadas pessoas corram o risco de desenvolver a doença. O trabalho revela que alguns dos fatores genéticos ligados a capacidades cognitivas podem apresentar problemas tornando alguns indivíduos propícios a desenvolverem transtornos mentais. Uma variação comum do gene DARPP-32, que faz com o processo de transmissão de informação seja mais eficiente, também foi ligada às funções cerebrais constatadas em portadores de esquizofrenia, em uma avaliação com 257 famílias com históricos da doença.

Na ocasião da publicação do estudo o coordenador da pesquisa disse que há a possibilidade de um “efeito colateral” com este ganho. Há outros genes e condições de vida que não favoreçam que o cérebro administre o processamento muito veloz de informações, por isso, o efeito pode se tornar um problema e “congestionar” o cérebro, o que poderia provocar os transtornos mentais.


FONTE: Opinião e Noticia. Em 08/04/2009.

URLs in this post:

[1] Associação Brasileira de Psiquiatria: http://www.abpbrasil.org.br/

[2] portal do médico Drauzio Varella: http://drauziovarella.ig.com.br/entrevistas/esquizofrenia7.asp

[3] Image: http://opiniaoenoticia.com.br/wp-content/uploads/1204155253.jpg

[4] Reforma Psiquiátrica: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/relatorio_15_anos_caracas.pdf

[5] Image: http://opiniaoenoticia.com.br/wp-content/uploads/harmonia.jpg

[6] Harmonia Enlouquece: http://www.harmoniaenlouquece.com/

[7] ABRE: http://www.abrebrasil.org.br/

[8] S.O.eSq.: http://www.soesq.org.br/

[9] Instituto Nacional para Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH, na sigla em inglês): http://www.nimh.nih.gov/

13 outubro, 2009

Cássia Kiss: "Eu era totalmente fora do eixo”








Vocês se incomodam de tirar o sapato?', pergunta de forma suave Cássia Kiss, de 49 anos, ao receber a equipe de QUEM em seu apartamento em um condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Ela segue a tradição oriental de tirar os sapatos antes de entrar em casa por acreditar que eles podem trazer maus fluidos. Na imensa sala, a televisão, sem imagem, toca o hino do Botafogo a todo volume. A música é abafada apenas pela alegre gritaria dos filhos da atriz, Joaquim, de 12 anos, Gabriel, 4, e Miguel, 3. O trio tinha acabado de fazer um piquenique enquanto assistia ao jogo da seleção brasileira de vôlei masculino no Pan e jogava bola ali mesmo. Cássia faz questão de apresentar um por um e avisa que só falta Maria Cândida, de 10 anos, que está na casa de José Alberto Fonseca, o primeiro marido da atriz, pai também de Joaquim. Os dois menores são fruto da união de Cássia com o jornalista Sérgio Brandão, com quem está há 11 anos. O último 'morador' a ser apresentado é Prince, um terrier que observa tudo. 'Ele está com uma alergia, vou levar de novo no veterinário', diz ela, acariciando o cão.

Cássia estava de folga das gravações de Eterna Magia, novela das 6 da Globo em que interpreta a vilã Zilda, e comemorava o tempo livre: 'Já fiz mercado, malhei na academia, levei as crianças à aula de skate'. Ela mandou servir suco de laranja feito na hora, café, água e compota de maçã 'sem adição de açúcar' e abriu seu coração. Primeiro, lamentou as mudanças feitas em Eterna Magia, que inicialmente girava em torno de bruxaria e, por pressão da audiência, vem abandonando o tema. Pela primeira vez em uma entrevista, Cássia discorreu sobre alguns de seus fantasmas pessoais - a bulimia, que ela diz manter sob controle desde a gravidez do primeiro filho, e o transtorno bipolar, um distúrbio psiquiátrico que faz a pessoa alternar períodos de depressão e euforia. 'Para mim, é transformador não esconder isso.'

QUEM: Eterna Magia começou com uma história e virou outra. O que você achou das alterações?
CÁSSIA KISS: É uma pena. Adoraria ver o original dessa história. Toda a parte de magia desapareceu. A gente achou que iria andar de vassoura e não rolou (risos).

QUEM: Como o elenco foi comunicado sobre a mudança?
CK: Fomos comunicados de que o atendimento ao consumidor estava recebendo muitos telefonemas, sobretudo dos evangélicos, e por isso a novela iria ter novos rumos. Acho muito prematuro mudar tudo quando uma novela está há cinco dias no ar e o ibope não está bom. O público precisa se acostumar com aquilo que está vendo.

QUEM: A emissora chegou a pedir o afastamento do Ulysses Cruz da direção por causa da linguagem que ele estava dando à novela...
CK: Ele foi afastado por 24 horas ou um pouquinho mais. Aí o elenco se manifestou.

QUEM: Vocês falaram com quem?
CK: Com o Manga (Carlos Manga, diretor de núcleo da novela), e aí ele falou com o Mário Lúcio Vaz (diretor da Central Globo de Produção). No dia seguinte, ele convidou o Ulysses para uma conversa. Não tem essa de 'cabeças vão rolar'. Tem de a gente reconhecer se errou e corrigir. Eu adoraria apagar uma série de coisas do meu passado. Fiz tanta cagada... Estou tentando corrigir aos 50 anos.
'Sofri de bulimia durante 11 anos. Fazia arroz integral, comia uma panela inteira e depois vomitava. Era violento.'

QUEM: Que cenas você apagaria?
CK: Várias. Tenho profundo arrependimento de muitas coisas. Hoje tomo um antidepressivo e um regulador de humor todos os dias. Sou a chamada bipolar. Até então, um dia eu estava péssima, chutava o pau da barraca, maltratava as pessoas e, no seguinte, quando reconhecia o erro, estava superbem e queria consertar tudo. Daí mandava flores, pedia desculpas... É uma mão de obra, cara. É uma loucura. Lamento não ter recorrido à ajuda médica mais cedo. Só me medico há dois anos.

QUEM: O que fez você pedir ajuda?
CK: Meu marido falou: 'Fico com você se você procurar um psiquiatra, porque a gente não pode continuar assim'.

QUEM: Vocês estavam juntos havia quanto tempo?
CK: A gente estava junto havia nove anos, sempre morando em casas separadas. Chegamos a romper o relacionamento algumas vezes por causa das minhas crises.

QUEM: Que tipo de coisas você fazia nas crises?
CK: Posso dizer que nas crises você passa por uma insegurança muito grande, não confia em você nem nos outros. A auto-estima fica muito baixa, você se preocupa demais com o que os outros vão pensar, precisa se vigiar, não consegue relaxar.

QUEM: Morar em casas separadas foi uma opção de quem?
CK: O Sérgio tem as coisas dele, gosta de ficar sozinho, eu também. A gente não descarta a possibilidade de morar juntos um dia, mas vamos ter cada um o seu quarto, o seu banheiro.

QUEM: Você chegou a ter crises durante as gravações de alguma novela?
CK: Em Porto dos Milagres (2001), gravava muito, ainda fazia uma peça de teatro e tinha as crianças. Estava grávida do meu terceiro filho e passava a noite estudando. Às vezes não dava tempo de passar todas as cenas. Em vez de procurar o produtor da novela e dizer: 'Desculpa, tem três ou quatro cenas que não tenho condição de fazer', eu me desdobrava para gravar. Mas não conseguia e explodia. Saía do estúdio gritando, chorando, totalmente enlouquecida. Para a equipe, eu era a doida da Cássia, a pessoa difícil.

QUEM: Eles falavam isso para você?
CK: Não, porque era raro eu ter essas explosões. Mas os colegas me olham atravessado. Ou melhor, olhavam, porque hoje estou bastante equilibrada. Me vigio muito, porque a bipolaridade vem da minha história de família. Tive uma mãe que sumia de casa por dez dias e reaparecia como mendiga. Minha avó vivia em manicômio, sumiu, morreu e foi enterrada como indigente. Hoje estou vigilante com a minha filha.

QUEM: No caso da sua mãe, a família tinha noção do motivo das crises?
CK: De jeito nenhum. A gente dizia que ela devia estar louca. Ela brigava, batia nos filhos. Apanhei muito. Tanto que saí de casa cedo, com 15 anos, porque ela me convidou a isso. Acho que a minha mãe foi muito madura quando disse: 'Quero que você vá embora'. Eu já era responsável. Saí de São Bernardo (do Campo, no ABC paulista) e fui morar em São Paulo, com um casal de amigos, mas logo conquistei minha independência.

QUEM: Sua mãe não chamou você de volta?
CK: Nunca mais voltei para casa... Estou falando com tranqüilidade sobre isso porque conheço tanta gente que vive distúrbio mental... (Pausa) Sofri de bulimia durante 11 anos - de 1983 até 1994 -, e era tudo junto, depressão com bulimia.
'Tomei chá de cogumelo dos 16 aos 22, 23 anos. Também usei muita maconha. Fumava tanto que ficava voando 24 horas por dia.'

QUEM: Como começou o processo?
CK: A insegurança desencadeia muita coisa: baixa a auto-estima, elimina a perspectiva. Vivi um casamento inteiro sendo bulímica. Na verdade, tenho a bulimia controlada desde que fiquei grávida do Joaquim, meu filho mais velho. A maternidade foi a minha salvação. Estou viva graças aos meus filhos.

QUEM: Você provocava o vômito?
CK: Completamente. E a pessoa se fere toda porque enfia colher, dedo, unha. A minha sorte foi ter parado antes de desencadear um câncer no esôfago.

QUEM: Mas no seu caso tinha alguma relação com não engordar?
CK: Não. Eu entrava em crise e começava a comer. Eram só coisas naturais, mas me entupia. Fazia arroz integral, comia uma panela inteira e depois vomitava. Como morava sozinha, não precisava me esconder de ninguém, então era violento. Depois que casei, consegui me controlar um pouco, mas continuei. Só com o Sérgio (atual marido) é que eu já estava sob controle.

QUEM: Você acha que isso provocou o fim dos seus relacionamentos?
CK: Eu era uma pessoa totalmente fora do eixo. Não digo que hoje encontrei o paraíso, mas sei o que é uma mente quieta. E sei o que é uma mente em ebulição - e uma mente em ebulição é muito difícil. Então, quando ouço sobre a morte de uma amiga, a Ariclê Perez (que morreu no ano passado ao cair da janela de seu apartamento), por exemplo, tenho condição de entender. Você quer controlar, parar a mente de alguma maneira. Tem gente que recorre a um tiro, outros pulam da janela. É desesperador.

QUEM: Em algum momento você pensou em suicídio?
CK: Em vários momentos.

QUEM: E o que a fez voltar atrás?
CK: Alguma coisa acontece e vira a chave.

QUEM: Com tudo isso, como você é como mãe?
CK: Acho que sou muito interessante como mãe, porque tenho várias referências. A maternidade mostra quais são os verdadeiros problemas e responsabilidades. Os filhos te botam para viver o aqui e o agora. Se o meu filho sobe ali (apontando a janela de vidro no décimo sétimo andar), ou eu ajo naquele instante ou ele cai.

QUEM: Como foi a presença paterna na sua vida?
CK: Nós tínhamos muito medo do meu pai. Não que ele reprimisse, mas era de muita autoridade. Eu gostaria que meus pais tivessem sido exemplo para mim, mas não foram. Então, quero ser para os meus filhos.

QUEM: Você teve experiência com drogas. Que tipo de orientação dá aos seus filhos nesse sentido?
CK: Tomei muito chá de cogumelo dos 16 até os 22, 23 anos. Também usei muita maconha. Mas saí fora sozinha. Uma hora eu disse para mim mesma que queria botar o pé no chão de novo. Fumava tanto que ficava voando 24 horas por dia.

QUEM: E o Santo Daime?
CK: Experimentei e não gostei. Bateu mal. Parecia que eu ia morrer.

QUEM: Você já fala com eles abertamente sobre drogas ou homossexualismo?
CK: Falo abertamente sobre drogas. Recorto nos jornais as notícias que envolvem vítimas do vício. Sobre homossexualismo não falo porque não sei se eles têm tendência. Mas, se algum tiver, não faz a menor diferença. Meus maiores amigos são gays.

QUEM: Daqui a seis meses, você completa 50 anos. Tem algum significado especial essa idade para você?
CK: Espero adquirir mais sabedoria, porque ficar um velho ou velha chata, que não sacou a beleza e a simplicidade da vida, é muito triste. Não corro o risco de ficar uma velha babaca.

QUEM: Você teve o primeiro filho aos 38 anos e o último, aos 46. Foi uma decisão tê-los mais tarde?
CK: Eu lamento, mas foi a hora em que os parceiros apareceram. Nunca pensei primeiro na vida profissional. Não aconselho ninguém a fazer isso. Depois acontece o que vejo por aí, sobretudo na minha profissão: um monte de atrizes que ficam adiando e, quando vêem, não dá mais. Mulher tem tempo de vida contado. Cada vez que menstruo eu fico de luto, porque é mais um óvulo que foi embora. São os meus últimos. Me dá uma tristeza, porque queria ter mais filhos.

QUEM: E por que não tem?
CK: Porque o Sérgio já fez a minha cabeça, disse que seria muita irresponsabilidade, ainda mais eu tomando medicamentos.

QUEM: Mas, se acontecesse, você interromperia?
CK: Nas quatro vezes em que engravidei, eu estava muito convicta da minha saúde. Tive um aborto espontâneo do pai do Joaquim e da Maria nos três primeiros meses de gestação. E provoquei um aborto em 1988, do qual me arrependo profundamente. Hoje sou a favor do aborto quando necessário, mas não como procedimento anticoncepcional. Como fiz, errei.

QUEM: Você foi porta-voz de campanhas contra o câncer de mama e a favor do aleitamento materno e ainda faz palestras sobre responsabilidade social, alimentação, meio ambiente. Não teme que sua credibilidade fique abalada por estar revelando ser bipolar e bulímica?
CK: Pelo contrário. Estou aqui mostrando minha fragilidade. Sou uma pessoa como outra qualquer. Assumir essas precariedades faz com que eu me fortaleça e me transforme. Imagina o número de mulheres que batem nos filhos porque têm descontrole mental. Dessa forma me aproximo dessas pessoas. Para mim, é transformador não esconder isso.


10 outubro, 2009

10 de Outubro: Dia Mundial da Saúde Mental

Problemas na assistência pública permanecem

A OMS define como saúde mental o “estado de bem-estar no qual o indivíduo consegue atingir seu próprio potencial, lidar com o estresse normal da vida, trabalhar e contribuir com sua comunidade”. No Dia Mundial da Saúde Mental, apesar de alguns avanços, o Brasil tem pouco o que comemorar. Pacientes com transtornos mentais e seus familiares ainda enfrentam cotidianamente sérias dificuldades.

A rede de serviços assistenciais para dar conta da diversidade das necessidades dos pacientes com transtornos mentais, agudos e crônicos, diferentes níveis de gravidade e de limitações, prevista na lei 10.216/2001, ainda não saiu do papel. Há grandes lacunas causadas pela inexistência de algumas modalidades de atendimento enquanto alguns dispositivos, cujo custo-benefício ainda não foi bem avaliado, continuam sendo o foco da maior parte do investimento.

Os problemas começam na atenção básica. É nítida a falta de preparo e treinamento da maior parte dos profissionais que atuam nas Unidades Básicas de Saúde e no Programa Saúde da Família. Sem conhecimento ou apoio técnico, não podem identificar os pacientes que precisam de acompanhamento especializado em saúde mental, que podem chegar a 25% das pessoas que utilizam serviços de atenção primária. Sem o diagnóstico precoce, esses pacientes procuram atendimento especializado apenas quando o problema se encontra em fase mais avançada, o que dificulta o tratamento e piora o prognóstico.

Os serviços de emergência psiquiátrica existentes, que deveriam receber os casos mais graves e agudos, descompensados, são em número insuficiente. Por falta de opção, os pacientes nesta situação e seus familiares procuram atendimento nos outros dispositivos da rede que, além de sobrecarregados, não têm estrutura para atendê-los.

A internação psiquiátrica, muitas vezes necessária para proteger o paciente em crise, com agitação psicomotora e risco de comportamento violento ou de suicídio, não pode ser oferecida a todos que precisam dela, por carência de leitos especializados.

Faltam programas de atendimento específico para grupos especiais, como crianças e adolescentes, idosos e população carcerária. Ressaltamos ainda as deficiências das diretrizes governamentais para atendimento dos dependentes de álcool e outras drogas

A esperança é de que o poder público aproveite a ocasião para uma avaliação criteriosa da saúde mental no País. Para que todos tenham o direito ao estado de bem-estar que chamamos de Saúde Mental.

Associação Brasileira de Psiquiatria

Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria

06 outubro, 2009

Vitória da razão: Sergipe obrigado a tratar dependentes

A decisão judicial

A Juíza de Direito Rosa Geane Nascimento Santos, da 16ª Vara Cível - Juizado da Infância e da Juventude, determinou em caráter liminar, no dia 1º de outubro, que o Estado de Sergipe arque com o custeio, na rede particular de saúde, do tratamento de crianças e adolescentes acometidos de dependência química e transtornos mentais.

O pedido à Justiça foi objeto de uma Ação Civil Pública ajuizada pela Defensoria Pública, que alegou a inexistência de programas, ações e unidades de atenção à saúde para tratamento do vício de álcool e drogas, com especial atenção ao crack, e de transtornos mentais em crianças e adolescentes, mediante regime de internação hospitalar, o que seria imprescindível, diante da grande demanda no universo infanto-juvenil com este problema em Sergipe.

De acordo com a Magistrada, a determinação se faz até que o Estado implemente o programa de serviço especializado e continuado que propicie o devido tratamento às crianças e adolescentes. Determinou ainda, o bloqueio da verba que o Estado de Sergipe utiliza para pagamento de suas campanhas publicitárias e shows, como também fixou uma multa diária no valor de R$1.000,00 (um mil reais) em caso de descumprimento, que será revertida para o Fundo Municipal da Criança e do Adolescente deste Município.

Na Ação Civil Pública consta o informe que o único tratamento encontrado para crianças e adolescentes dependentes químicos ou acometidos de transtorno mental, até o momento, são os Centros de Atenção Psicossocial - CAPS, que têm natureza extra-hospitalar ou ambulatorial. No entanto, esse tratamento é insuficiente ou incapaz de atender ao dependente químico ou e ao acometido de transtorno mental em crise.

A ação

A entrada da ação que provocou a liminar foi dada no último mês de agosto e assinada pelos defensores da 16ª e da 17ª Defensorias Públicas, especializadas em crianças e adolescentes. Nela, eles solicitaram que o Estado criasse um programa de atendimento às crianças e aos adolescentes viciados em álcool e drogas, em especial ao crack, em regime de internação hospitalar.

O defensor público, Luciano Gomes de Mello Júnior, voltou a afirmar que as crianças e adolescentes viciados em álcool e drogas estão sendo atendidos nos Centros de Atenção Psicossociais (CAPs) em regime ambulatorial, o que não é eficaz no tratamento.

“Com esta determinação, o Estado apontará qual a instituição hospitalar que poderá fazer este atendimento e as Varas farão uma avaliação de quais crianças e adolescentes necessitam deste tratamento”, explica.

O presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente, Humberto Góis, ressaltou a importância desta decisão por causa da grande demanda que Aracaju atualmente apresenta.

“Somente na 17ª Vara, 70 % dos adolescentes atendidos necessitariam de atendimento como este. O Conselho aprovou uma resolução determinando que a Prefeitura de Aracaju implementasse um programa para dependentes psicoativo e até o momento não nos foi apresentado nenhum programa”, diz ele.

A liminar é passível de recurso, mas o presidente do Conselho solicita que o Tribunal de Justiça não casse a decisão, alegando a grande demanda deste atendimento e a falta de espaço para o tratamento desses jovens.


FONTE:

  1. Jus Brasil Notícias
  2. Infonet Cidade


05 outubro, 2009

Drogas: dependentes não têm a quem recorrer


Drama das famílias que têm crianças e adolescentes dependentes químicos em Sergipe

InfoNet - SE - ESPECIAIS - 15/09/2009

Maria Tereza, 52 anos, vive o drama de não saber como tratar o filho dependente químico. Ela acredita que a internação é a solução, no entanto a família não tem condições financeiras para Justificarcolocá-lo em uma clínica particular. Tereza, assim como a maioria dos que convivem com pessoas viciadas em algum tipo de droga, não sabe quais as medidas que deve adotar com o filho. “Ele ficou agressivo, me obriga a dar dinheiro, e não quer que eu fale com ninguém sobre isso,” comentou. “Ele não quer procurar ajuda. Tenho vontade de interná-lo em um lugar que ele não saia, fique uns meses por lá,” desabafa mãe.

A defensora pública Rachel Scandian de Melo, que junto com mais três defensores, moveu uma ação contra o Estado para garantir espaços para tratamento de dependentes químicos afirma que inúmeras mães os procuram, pois não sabem para onde levar seus filhos. "Elas chegam aqui pedindo para mandar o filho para o CENAM, pois preferem os filhos internados, acreditando que assim ficarão longe do vício”, conta. Rachel explica que no hospital São José há apenas quatro leitos para receber a criança e o adolescente, e “mesmo assim, não é um espaço separado dos adultos, ou de pessoas com algum transtorno mental”.

Tereza, que mora no conjunto Rosa Maria, em São Cristovão, conta que há aproximadamente dois anos tentou levar o filho a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) , mas ele voltou para casa. “Fomos pela manhã, quando foi à tarde ele voltou e disse que não iria ficar lá, pois não precisava”, relata.

Os CAPS oferecem atendimento a esses usuários seguindo diretrizes do Ministério de Saúde. Para André Calazans, coordenador do CAPS AD, quando se pensa no cuidado do usuário de drogas o foco não pode ser apenas a droga. “É preciso entender que este sujeito nunca vai se desligar da sua família, da sua comunidade e nem das outras relações que são estabelecidas em sociedade,” afirmou André.

Mas para a defensora Rachel, o tratamento oferecido pelos Centro de Atenção Especial (CAPS) não é o suficiente para recuperar o indivíduo. “O usuário precisa de internação, não basta passar o dia no centro e mandá-lo para a casa sem a certeza de que ele vai voltar. Dos processos que eu acompanhei, 100% não tiveram resultado” comentou.

Medidas

De acordo com Ana Raquel Santiago, coordenadora da Atenção Psicossocial da Secretaria de Estado da Saúde (SES), o Governo de Sergipe já vem se reunindo com membros das secretarias municipais para construir o plano de ação sobre a temática das drogas. As medidas já trabalhadas pelo Estado incluem a ampliação do acesso aos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS AD) e Infantil, como também, treinamento dos profissionais dessas unidades. Segundo Ana Raquel, a médio prazo, unidades hospitalares do interior também vão implantar enfermarias para o tratamento de dependentes químicos. Os hospitais de Neópolis, São Cristóvão e Lagarto são algumas unidades a terem em suas estruturas, leitos para desintoxicação.

A defensora Rachel afirma que o Estado precisa pensar de forma urgente em uma política pública que envolva a criança e o adolescente em todos os aspectos. “Tem crianças internada em clínicas psiquiátricas junto com todo tipo de pessoa. Que atenção o Estado está dando a essas crianças?”, questiona a defensora.

Como recorrer ao CAPS

Qualquer pessoa pode procurar os serviços do Centro, não precisa de encaminhamentos. O funcionamento é de segunda a sexta das 8h às 17h . O telefone de contato é o (0xx79) 3179-4620/4621.

Fonte: ABEAD