Drama das famílias que têm crianças e adolescentes dependentes químicos em Sergipe
InfoNet - SE - ESPECIAIS - 15/09/2009
Maria Tereza, 52 anos, vive o drama de não saber como tratar o filho dependente químico. Ela acredita que a internação é a solução, no entanto a família não tem condições financeiras para
colocá-lo em uma clínica particular. Tereza, assim como a maioria dos que convivem com pessoas viciadas em algum tipo de droga, não sabe quais as medidas que deve adotar com o filho. “Ele ficou agressivo, me obriga a dar dinheiro, e não quer que eu fale com ninguém sobre isso,” comentou. “Ele não quer procurar ajuda. Tenho vontade de interná-lo em um lugar que ele não saia, fique uns meses por lá,” desabafa mãe.A defensora pública Rachel Scandian de Melo, que junto com mais três defensores, moveu uma ação contra o Estado para garantir espaços para tratamento de dependentes químicos afirma que inúmeras mães os procuram, pois não sabem para onde levar seus filhos. "Elas chegam aqui pedindo para mandar o filho para o CENAM, pois preferem os filhos internados, acreditando que assim ficarão longe do vício”, conta. Rachel explica que no hospital São José há apenas quatro leitos para receber a criança e o adolescente, e “mesmo assim, não é um espaço separado dos adultos, ou de pessoas com algum transtorno mental”.
Tereza, que mora no conjunto Rosa Maria, em São Cristovão, conta que há aproximadamente dois anos tentou levar o filho a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) , mas ele voltou para casa. “Fomos pela manhã, quando foi à tarde ele voltou e disse que não iria ficar lá, pois não precisava”, relata.
Os CAPS oferecem atendimento a esses usuários seguindo diretrizes do Ministério de Saúde. Para André Calazans, coordenador do CAPS AD, quando se pensa no cuidado do usuário de drogas o foco não pode ser apenas a droga. “É preciso entender que este sujeito nunca vai se desligar da sua família, da sua comunidade e nem das outras relações que são estabelecidas em sociedade,” afirmou André.
Mas para a defensora Rachel, o tratamento oferecido pelos Centro de Atenção Especial (CAPS) não é o suficiente para recuperar o indivíduo. “O usuário precisa de internação, não basta passar o dia no centro e mandá-lo para a casa sem a certeza de que ele vai voltar. Dos processos que eu acompanhei, 100% não tiveram resultado” comentou.
Medidas
De acordo com Ana Raquel Santiago, coordenadora da Atenção Psicossocial da Secretaria de Estado da Saúde (SES), o Governo de Sergipe já vem se reunindo com membros das secretarias municipais para construir o plano de ação sobre a temática das drogas. As medidas já trabalhadas pelo Estado incluem a ampliação do acesso aos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS AD) e Infantil, como também, treinamento dos profissionais dessas unidades. Segundo Ana Raquel, a médio prazo, unidades hospitalares do interior também vão implantar enfermarias para o tratamento de dependentes químicos. Os hospitais de Neópolis, São Cristóvão e Lagarto são algumas unidades a terem em suas estruturas, leitos para desintoxicação.
A defensora Rachel afirma que o Estado precisa pensar de forma urgente em uma política pública que envolva a criança e o adolescente em todos os aspectos. “Tem crianças internada em clínicas psiquiátricas junto com todo tipo de pessoa. Que atenção o Estado está dando a essas crianças?”, questiona a defensora.
Como recorrer ao CAPS
Qualquer pessoa pode procurar os serviços do Centro, não precisa de encaminhamentos. O funcionamento é de segunda a sexta das 8h às 17h . O telefone de contato é o (0xx79) 3179-4620/4621.
Fonte: ABEAD
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